Opinião: Starks, o gigante de 1,72

Por Drika Evarini

Provavelmente, na noite de quinta-feira (10), os termômetros de Chicago, nos Estados Unidos, marcavam temperaturas negativas, típicas desta época do ano em Illinois. Mas, enquanto lá no hemisfério norte o frio dominava, dentro do Centreventos Cau Hansen, aqui no lado sul do mapa, um filho de Chicago colocava fogo no jogo.

É impossível não notá-lo em quadra e, no primeiro momento, o seu 1,72 metro é o que mais chama a atenção: um baixinho no meio dos gigantes. Mas quando a bola laranja subiu, a torcida não demorou um minuto para perceber que o camisa 3 não a usa por mera coincidência. Os arremessos precisos de longa distância o colocaram nos braços do torcedor joinvilense, que não hesitou em levantar nas suas belas cestas e roubadas de bola.

Ahmad Starks mal desembarcou em Joinville e já caiu nas graças da torcida e não há motivos para menos que isso. Foram necessárias apenas quatro partidas para o americano mostrar a que veio. Em quatro jogos ele já superou todos os jogadores da liga e é dono da maior média de pontos, com 21,75. Se não bastasse, ainda abocanha a quarta colocação em eficiência: 18,3. Tudo isso, repito, com apenas quatro jogos disputados. No primeiro, 11 pontos, no segundo, diante do gigante Paulistano, desbancou quase todo mundo e foi o cestinha ao lado do companheiro Cook, no terceiro, 19 pontos e o ápice veio na noite de quinta: 34 pontos, 7 bolas de 3 pontos, 31 de eficiência e uma atuação de gala.

Dos quase 12 minutos de quadra na estreia, Starks só sentou no banco contra o Mogi no último jogo, por menos de cinco minutos. E olha que tivemos overtime de… cinco minutos. Foram 40 minutos em quadra e, quando a bola estava em suas mãos, a torcida não esperava menos do que uma bela jogada, uma cesta de muito longe ou ainda uma cesta improvável, na pressão do cronômetro estourando e com tentativa de pará-lo com falta.

Starks se transformou no dono do jogo joinvilense. Era das mãos dele que a bola laranja saía, suavemente, para ser concluída em cesta pelos companheiros. Era das mãos dele que a bola laranja saía, em um arremesso perfeito, em um salto único, para cair sem sequer tocar no aro. Foi ele o responsável por puxar o jogo para os donos da casa em uma noite que seus companheiros ou estavam doentes em casa, ou estavam jogando “no sacrifício”. Foi Starks que regeu o time contra um adversário gigante e ironicamente foi das mãos dele que saiu o último arremesso que poderia ter decretado a vitória no tempo normal se não fosse um capricho típico do esporte.

Em apenas quatro jogos, Starks foi capaz de se transformar na figura central do time. A evolução nas estatísticas dá o tom, mas a presença que contraria a estatura e se torna gigante em quadra diz ainda mais sobre o que ele é capaz de fazer e sobre como ele é capaz de mudar a história de uma partida. E foram apenas quatro partidas. Imagine só o que o garoto de Illinois pode fazer com o passar do tempo.

Se Isaiah Thomas é considerado um baixinho e tanto na NBA, o que podemos dizer de Starks, que é ainda mais baixinho, mal chegou e já conquistou a titularidade e a confiança da torcida e do treinador?

Foto: Cedida por Jackson Nassler

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