Joinville tem queda no número de partos entre crianças e adolescentes

Em 2017, 753 crianças e adolescentes de 10 a 19 anos deram à luz em Joinville. Isso representa 93 a cada mil partos ou 9,3% do total. O número, ainda preliminar, é do Ministério da Saúde, que compila dados de todas as unidades de saúde do Brasil e divulga anualmente a informação.

Dos 753 partos de menores de idade realizados na cidade, 17 foram de meninas com idade entre 10 e 14 anos, o que é caracterizado como estupro de vulnerável. Esse número já foi maior em outros anos, chegando a 33 em 2014, diminuindo para 27 em 2015 e 15 em 2016.

No total, o número de adolescentes que dão à luz também também vem caindo ao longo dos anos. Em 2012, foram 1066, passando para 1006 e reduzindo a cada ano, até chegar aos 753 de 2017. Em Santa Catarina, no ano retrasado, foram 11,3 mil casos ao todo, sendo 377 de meninas de 10 a 14 anos.

Adolescentes possuem pouco conhecimento sobre sexualidade

Rosana da Silva Neves, assistente social da Maternidade Darcy Vargas, atende as crianças e adolescentes que chegam na unidade para fazer o parto. Nas conversas, ela diz não identificar uma orientação recebida por essas meninas nas escolas. “Eu pergunto se elas usavam métodos contraceptivos para não engravidarem e elas não sabem o que é, tenho que traduzir”, conta, a profissional.

Muitas adolescentes, inclusive, param de estudar ao engravidar. Do total, 620 completaram entre oito e 11 anos de estudos, o que significa que a maioria está com o ensino médio incompleto.

Se a educação sexual perder ainda mais espaço nas escolas, Rosana acredita que a situação pode piorar. “Acredito que o número de adolescentes gestantes irá aumentar, pois, na maioria, elas trocam informações com as amigas. Poucas são as que conversam sobre sexualidade com a família ou com a mãe”, argumenta.

Para ela, além de debater o tema, as escolas precisam incentivar os pais a participarem dessa discussão, não assumindo totalmente, mas trazendo para o debate a questão da sexualidade.

Segundo a assistente social, as adolescentes que chegam para atendimento, na maioria, não fizeram uso de métodos contraceptivos. “Elas fazem uso de comprimido, por exemplo, mas sem orientação, tomam quando vão fazer sexo ou não tomam diariamente. Poucas usam preservativo e uma minoria toma injeção”, relata Rosana, mostrando o tamanho do problema da falta de informação.

Em 2018, Rosana conta ter atendido uma menina com 12 anos, três com 13 e 17 com 14 anos.

Cuidados com a gravidez

A grande maioria das crianças e adolescentes que deram à luz em 2017 tiveram os cuidados necessários com a gravidez. Das 753, 489 fizeram um pré-natal mais que adequado e 62 foram consideradas como adequado. Outras 125 jovens tiveram um pré-natal inadequado.

Ao todo, 519 fizeram sete ou mais consultas de pré-natal. Entre quatro e seis consultas foram 175 jovens. Apenas 54 fizeram de uma a três visitas à unidade de saúde para acompanhamento.

Tratamento dado aos casos que envolvem menores de 14 anos

Os casos que envolvem meninas até 14 anos são considerados violência sexual, independentemente se teve consentimento ou autorização da família. Por isso, precisam ser levados à Delegacia de Proteção a Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, que instaura um inquérito policial para apurar o caso.

Esses casos chegam à delegacia por meio do Conselho Tutelar, que comunica diretamente ou orienta as famílias a buscarem a polícia. De acordo com a delegada Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, a maioria das vitimas são de baixa renda e tiveram o filho graças a um relacionamento amoroso, que, em grande parte, tinha consentimento da família.

Texto: Alexandre Perger
Foto: Agência Brasil

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