Calor e caos no primeiro dia do horário “especial” do transporte público

Está certo que nunca foi uma Brastemp, mas o sistema de transporte público de Joinville foi especialmente caótico na segunda-feira (17), primeiro dia do horário especial de recesso imposto pelas empresas que operam o serviço na cidade, Gidion e Transtusa, e pela Prefeitura de Joinville.

A pedido de O Mirante, diversos cidadãos e cidadãs relataram dificuldades durante o dia. Ônibus lotados, atrasos e longas esperas foram os problemas mais comentados. Com menos veículos em circulação, muitas pessoas chegaram atrasadas aos compromissos, em especial ao trabalho. Ou muito cedo, como foi o caso de tantas que preferiram não arriscar.

Tudo isso somado ao calor escaldante (termômetros registraram a temperatura de 36°C), pontos de ônibus sem abrigo e calçadas sem árvores, fez com que o joinvilense tivesse um dia, no mínimo, desagradável. Vamos reproduzir, abaixo e resumidamente, alguns relatos que foram publicados em nossa página de Facebook.

Juliano, que classificou o horário de fim de ano como “ridículo”, contou que seu ponto já estava lotado quando chegou ao Terminal Norte, às 17h50. O primeiro ônibus chegou às 18h05 e encheu em segundos. Mais dois chegaram logo após e também ficaram lotados. Durante o trajeto, as reclamações aumentavam a cada parada por causa da demora e da falta de ventilação interna. “Já é horrível em horários normais, imagina agora com essa redução”, comentou.

Para Jéssica, que pegou o Sul/Centro às 17h17, no centro, as paradas também foram um problema. “O ônibus já estava socado e o motorista continuava parando em todos os pontos, mesmo vendo que quem entrava mal conseguia subir os degraus, quanto mais passar pela catraca. Rolou bate boca do motorista com uma passageira que estava revoltada com a situação, e o ônibus chegou no Terminal Sul perto das 18 horas”, relatou.

Rebeca se sentiu em uma lata de sardinha quando pegou o Norte/Sul,  às 11h45, no Terminal Norte. Ela estava esperando há uns 20 minutos quando o ônibus chegou e todas as pessoas que estavam ali precisavam pegar o mesmo ônibus.

Maikon saiu cedo de casa para não correr o risco de se atrasar e mesmo assim foi prejudicado pela mudança no sistema. Ele costuma usar três linhas para chegar ao destino e, apesar de ter sido tudo ok com a primeira viagem, o segundo ônibus atrasou por cinco minutos. Com isso, quando ele chegou ao Terminal Iririú, não conseguiu pegar o que precisava. Ele decidiu, então, ir a pé, o que aumentou em 20 minutos seu trajeto matinal. “O atraso foi ‘pequeno’, pois fui obrigado sair mais cedo de casa, prevendo o risco de atraso, o que também é um problema por reduzir o meu tempo de descanso”, disse.

Jonesita, que carinhosamente chama a linha Tupy Norte de Tupy Morte, reclamou dos atrasos da mesma cotidiandamente, mas destacando que, dessa vez, teve que esperar mais de meia hora. E se a ida foi ruim, a volta para casa foi pior ainda. Com algumas linhas de seu trajeto cortadas, ela se viu obrigada a caminhar por meia hora até o Terminal Norte, por volta das 17 horas, com uma sensação térmica de quase 50°C. Chegando lá, ouviu fiscais reclamarem com outros que já fazia 40 minutos que um ônibus não chegava no Norte. Quando chegou, ficou lotado a ponto de não poder parar nos pontos, deixando quem esperava a “ver navios”. “Chegando no terminal às 18h30, fui obrigada a descer do ônibus pois estava sufocada e saí para comprar uma água e respirar. Mais 30 minutos esperando outro ônibus”, contou.

Pablo também destacou os atrasos cotidianos do Centro-Norte, no Terminal Central, mas destacou que desta vez ele estava assustadoramente cheio. “Algumas pessoas uniformizadas tentavam se encaixar em qualquer lugar que desse nos ônibus que iam encostando”, narrou. Ele conseguiu pegar o segundo ônibus da linha, que costuma encostar logo após, mas muitas pessoas ficaram esperando.

Thalita chegou às 7h35 no Terminal Central, mas só conseguiu pegar o ônibus para o Norte às 8 horas. “Dois ônibus chegaram antes do que eu peguei, mas não consegui chegar nem perto de tanta gente que tinha”, afirmou.

Victória classificou os novos horários como “uma porcaria”. Ela pegou o Benjamin Constant 244, que chegou dez minutos atrasados no terminal e com o ponto dele lotado. “E ainda mandaram um micro-ônibus”, indignou-se.

Destiny comentou que o Sul/Norte vai tranquilo, apesar de ter tido um dos horários, às 6h44, cortado. “Agora só tem ônibus às 6h35 e o próximo só às 7 horas”, comentou. Já para ir ao Terminal Norte, ela reclamou que o ônibus passa às 15h20 e depois só às 16h10.

Tamyres reclamou que, durante a manhã, o Vila Nova não passou no horário previsto. “Colocaram reforço, mas mesmo assim, como foi retirada a linha direta e a linha IFSC, os ônibus estavam lotados”, contou.

“Foi revoltante!”, indignou-se Ana Paula. Ela contou que todos os ônibus estavam fora do horário descrito no site oficial e, quando as pessoas reclamaram com o fiscal do terminal, ele disse que não tinha culpa e que as pessoas tinham que reclamar com o prefeito Udo Döhler. “Todos os ônibus foram muito cheios, o que foi desumano nesse calor. Eu demorei uma hora e meia para chegar em casa, o que antes eu faria em 45 minutos”, narrou.

Cris conta que o calor ainda estava forte quando chegou ao Terminal Central, às 19h45, e a plataforma estava lotada. O primeiro ônibus que chegou, às 20 horas, um articulado, saiu lotado. “Os ônibus da linha 0800 saiam, em média, a cada 20 minutos, sempre lotados”, registrou.

Para não se atrasar para o trabalho, David mas foi obrigado a recorrer ao Uber. Ele esperou o máximo que pode, mas não conseguiu evitar o prejuízo maior com o aplicativo. À noite, seu ônibus demorou meia hora a mais que o normal porque um ônibus passou e não parou e o outro saiu mais tarde que o comum.

Samara contou que o Bom Retiro estava rodando de uma em uma hora,1 em 1 hora. “Pura irresponsabilidade colocar esses horários, muita gente sai da cidade, mas a galera que anda de busão  (a maioria) fica”, disse. Para ela, deveriam manter os ônibus principais, como Itaum, Norte Sul, Sul Centro e Tupy Norte, com horários normais. “No horário de pico deveria manter normal, porque tá um nojo esses horários!”, opinou.

A situação não estava muito melhor nesta terça-feira (18). Ivan relatou que antes da mudança haviam duas ônibus Vila Nova/Centro que saiam às 8h40, um normal (500) e o semi direto (501), mas ao chegar no terminal, ele e todos os outros usuários descobriram que nenhum dos dois ônibus iriam funcionar naquele horário, sendo que o próximo ônibus foi somente às 8h53, que já era a linha seguinte. “Como a linha que vai direto do Vila Nova para o Terminal Norte também foi desativada, tinha pessoas de quatro ônibus empilhadas em um só, com muitas crianças. Nem quando faltou gasolina e as linhas foram reduzidas na greve dos caminhoneiros estava tão lotado”, afirmou.

Muitos comentários não detalharam situações do caos que tomou conta do transporte público da cidade, mas demonstraram a indignação dos usuários com a Prefeitura e com as empresa. Um dos comentários é bastante elucidativo quanto ao problema. “Por essa e outras que me obrigo a ir trabalhar de carro”, escreveu Danilo.

Ele resume o problema grave da mobilidade urbana, mas que também afeta a saúde e o meio ambiente da cidade. Com tarifas exorbitantes se comparadas à realidade dos trabalhadores, lotação, cortes, atrasos, atendimento e outros serviços ruins, as pessoas buscam uma alternativa no transporte individual motorizado (já que o trânsito também não é muito convidativo aos ciclistas). Mais carros, maior nível de CO² na atmosfera, além de outros gases que fazem mal à saúde. Quanto à saúde, basta saber que os hospitais recebem motoqueiros com lesões graves diariamente.

O horário especial está previsto para terminar no dia 25 de janeiro. De acordo com a Prefeitura, foi feita uma análise detalhada de utilização das linhas neste período.

Texto e foto: Felipe Silveira

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