Onda de extrema-direita leva desconhecido ao governo de Santa Catarina

A onda de extrema-direita que tornou Jair Bolsonaro (PSL) presidente eleito do Brasil também levou Carlos Moisés da Silva (PSL) ao governo de Santa Catarina. Até pouco tempo, o Comandante Moisés era desconhecido dos catarinenses, o que não impediu que lhe dessem 2.644.179 votos (71,09% dos válidos) neste segundo turno.

Ex-comandante do Corpo de Bombeiros Militares de Tubarão, Moisés nunca havia sido candidato a cargo eletivo. Também não era uma figura da imprensa, local de origem de vários políticos por conta da visibilidade. Fez a carreira nos bombeiros militares até ir para a reserva (aposentaria militar) em 2016. Filiou-se ao PSL em março de 2018, dando início aos movimentos para construir sua candidatura.

É inegável que o governador eleito deve muito à onda Bolsonaro, mas ele também teve seu mérito. Com boa oratória, fez boas apresentações aos catarinenses quando teve oportunidade. No debate promovido pela emissora NSC TV, às vésperas do primeiro turno, foi um dos melhores avaliados. Como foi o debate de maior audiência, também foi o momento em que o eleitor catarinense, que deu 72% dos votos do primeiro turno a Bolsonaro, pode conhecer sua “versão estadual”. E, assim como seu candidato nacional, o representante do PSL em SC faltou ao debate no segundo turno alegando problemas de saúde.

A eleição em SC

A eleição catarinense começou com três grandes chapas, lideradas por Gelson Merisio (PSD), Mauro Mariani (MDB) e Décio Lima (PT). Para elas que os analistas políticos apontavam quando perguntados de onde sairia o próximo governador. O candidato do PSL era um dos pequenos e nunca apareceu entre os primeiros nas pesquisas, mas surpreendeu no primeiro turno, quando obteve 1.071.404 votos (29,72% dos válidos) que o levaram ao segundo turno.

A votação o colocou na disputa com Gelson Merisio (PSD), que conseguiu 1.121.855 votos (31,12%) no dia 7 de outubro. O ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alesc) também tentou surfar na onda Bolsonaro, declarando voto no presidenciável, o que pode ter contribuído para mantê-lo na disputa. Porém, no segundo turno, contra o candidato que levava o mesmo número do presidente eleito, a coisa ficou mais complicada. Merisio recebeu apenas 1.075.242 votos (28,91%) – uma votação menor do que a da primeira etapa da disputa estadual.

Bolsonaro em SC

Santa Catarina foi o estado que deu a maior votação a Bolsonaro no primeiro turno (65,82%) e a segunda maior no segundo (75,92%). Fernando Haddad (PT) conquistou 15,13% dos votos no dia 7 de outubro e 24,08% neste domingo. Em Joinville, neste dia 28, Bolsonaro obteve 262.556 votos (83,18%) contra 56.088 (16,82%) para Fernando Haddad (PT).

Trajetória do novo governador

Carlos Moisés da Silva nasceu no dia 17 de agosto de 1967, em Florianópolis. É bacharel e mestre em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), onde foi professor de direito administrativo e constitucional. Ingressou em 1987 no Curso de Formação de Oficiais da Academia da Polícia Militar de Santa Catarina, tendo concluído o curso em 1990, quando passou a atuar no Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC). Trabalhou nas cidades de Florianópolis, Criciúma e Tubarão. Além das funções de comando de organizações de bombeiro militar, atuou como Coordenador Regional de Defesa Civil no sul de SC, trabalhou como corregedor-adjunto do Corpo de Bombeiros Militar de SC junto ao Comando-Geral e na Secretaria de Justiça e Cidadania, na pasta que cuida da prevenção contra incêndio e pânico nas unidades prisionais do sistema.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Rede social do Comandante Moisés