Estudantes da rede pública visitam cooperativa de reciclagem em Joinville

Alunos do primeiro ano do ensino médio da Escola Estadual Rudolf Meier viram de perto a importância de se separar corretamente os resíduos antes de encaminhá-los para a reciclagem. A turma, formada por 20 estudantes, conheceu a Recicla, uma cooperativa de catadores de resíduos recicláveis localizada na zona sul de Joinville. A visita ocorreu na quarta-feira (24).

A cooperativa é uma das que recebe todo resíduo que o serviço de coleta seletiva do município recolhe em todos os bairros de Joinville. No local, os alunos ficaram sabendo que quase 30 famílias tiram seu sustento da venda desses materiais. A média de ganho para cada família é de cerca de R$ 1,5 mil mensais, em um trabalho de segunda a sábado, oito horas por dia. Para conseguirem essa renda, os catadores precisam contar com a conscientização de quem separa os resíduos ainda em casa.

“Ainda recebemos muitos resíduos recicláveis misturados a não recicláveis, como papel higiênico, restos de comida, até animais mortos. Quando o material é misturado, além de demandar tempo na separação, também perdemos de ganhar com a venda do que poderia ser reciclado, mas não é possível porque foi contaminado”, explica o presidente da Recicla, Anderson Ramalho.

Na visita, ele mostrou aos estudantes todo o processo de separação e armazenamento dos resíduos. Tudo o que não pode ser vendido para a indústria, que é quem efetivamente vai reciclar os resíduos, é encaminhado para o aterro sanitário.

Nessa regra, como em todas, há exceção. Anderson mostrou aos alunos algumas embalagens que, embora pudessem ser recicladas, ainda não são porque a indústria ainda não desenvolveu tecnologia para isso. É o caso de algumas garrafas plásticas de iogurtes, sucos, xampus. “Nesses casos, nós armazenamos essas embalagens na esperança de que a indústria esteja estudando uma solução para esses resíduos que ela mesmo cria ”, explica.

A experiência deixou marcas nos alunos. Aos 16 anos, Yuri Diorgenes de Oliveira disse que em casa não existe a separação de resíduos, tudo é encaminhado de uma vez só, na coleta do lixo comum. Entretanto, de acordo com ele, isso vai mudar. “Quando chegar em casa, vou explicar para minha família o que acontece quando separamos o lixo e encaminhamos para a reciclagem. Vou mostrar que disso depende o meio ambiente e o sustento de muitas famílias “, prometeu.

Já a estudante Jenifer Salles, 16 anos, disse que chegou a ficar triste por ver o quanto as pessoas trabalham para ganhar o que ganham. Para contribuir com a rentabilidade dos catadores, prometeu separar melhor os resíduos em casa. “A gente já separa, mas pelo o que vi aqui, é possível melhorar ainda mais, para ajudar no trabalho deles”, disse.

A visita dos alunos da Rudolf Meier à cooperativa fez parte da Rota da Reciclagem, atividade realizada pelo terceiro ano consecutivo na Semana Lixo Zero Joinville, em parceria com a Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc). A ideia, segundo os organizadores, é levar os participantes a conhecerem de perto o que é feito do que as pessoas normalmente chamam de lixo.

“Em geral, quando as pessoas veem para onde vai os resíduos que elas geram, veem que isso gera renda para outras pessoas e ajuda o meio ambiente, pois não é descartado em qualquer lugar, elas passam a ter outro tipo de postura em relação a esses resíduos. É nisso que apostamos”, explicou Gustavo Ritzmann, um dos organizadores do evento.

A reciclagem em Joinville

Atualmente, somente 6% de todo lixo gerado em Joinville é encaminhado para a indústria da reciclagem. O restante acabando sendo enterrado no aterro sanitário, que recebe cerca de 450 toneladas todos os dias. Por conta desse volume, o aterro só possui vida útil de mais cinco anos, apenas. Quando a capacidade esgotar, novas áreas terão que ser abertas para receber o lixo da cidade.

Segundo as cooperativas, a reciclagem em Joinville poderia ser maior se houvesse o encaminhamento correto para a coleta seletiva. Outro problema enfrentando pelas cooperativas é a concorrência com catadores autônomos. “Sabemos que muitas pessoas tiram sustento desses resíduos. Porém, não se sabe onde estão sendo depositados os materiais que não têm valor comercial. Nas cooperativas, nós encaminhamos para o aterro e nada é descartado na natureza”, explica Anderson.

Ele acrescentou que, por conta da concorrência com catadores não cadastrados na Prefeitura, o número de resíduos que as cooperativas recebem vêm diminuindo, afetando a renda dos cooperados.

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: SLZ Joinville 2018

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