“Eu não gosto quando se diz que Santa Catarina é conservadora”, diz Ideli Salvatti

“Nesta eleição, os titulares foram chamados para a disputa ao Senado”. A frase da candidata ao cargo pelo Partido dos Trabalhadores, Ideli Salvatti, era direcionada aos adversários, mas vale para ela também. Nome de maior expressão do PT catarinense, a ex-senadora e ex-ministra está entre os grandes nomes da política estadual que disputam as duas vagas na câmara alta do Congresso Nacional.

De fato, as articulações partidárias colocaram nomes de peso nesta categoria, como os ex-governadores Raimundo Colombo (PSD) e Espiridião Amin (PP) e o senador Paulo Bauer (PSB). A petista completa o “quadrangular  dos grandes”, buscando os votos à esquerda no estado, enquanto seus adversários tendem ao centro-direita.

Quanto a isso, ela diz não gostar quando dizem que Santa Catarina é um estado conservador. “Nosso estado já deu demonstrações claras de que, dependendo de como é esclarecida e de como é motivada a população, nós temos posição avançadas. Se não nós não teríamos a oportunidade de governar as principais cidades”, opinou. Ela mencionou as prefeituras de Joinville, Blumenau, Itajaí, Chapecó e Tubarão, que já foram governadas pelo PT.

Também destacou movimentos sociais e episódio como a Novembrada, o movimento de atingidos por barragens, o movimento de mulheres agricultoras, além do protagonismo de mulheres como Anita Garibaldi e Antonieta de Barros.

Nascida em São Paulo, em 1952,  Ideli graduou-se em Física no Paraná e veio para Joinville em 1976, fixando residência em Santa Catarina, onde construiu sua vida e carreira política. Nesta entrevista, realizada na manhã de segunda-feira (1), falou sobre o movimento #EleNão, do período em que esteve na OEA, os problemas estaduais, o impeachment de Dilma Rousseff e a relação com o prefeito de Joinville, entre outros temas. Confira a seguir:

Por onde andava?

Acusada de sumir, de ficar quieta e de morar nos Estados Unidos nos últimos anos, a ex-ministra, que ocupava um posto na Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja sede fica em Washington, explicou que não podia, por contrato, opinar sobre as questões do Brasil.

“Eu fui a primeira mulher brasileira a ocupar um posto na OEA e, quando você vai para um organismo multilateral desse tipo, como ONU, OMC, OEA, você assina uma cláusula em que se compromete a não fazer nenhum manifestação ou manifestação a respeito dos assuntos políticas do seu país, justamente para impedir que se utilize o seu posto para interferir na política do seu país”, revelou.

Ela começou a trabalhar na OEA em julho de 2015 e, portanto, não acompanhou o impeachment no Brasil. “Você não pode imaginar a angústia em acompanhar sem poder falar nada”, disse.

#EleNão

Ideli participou do #EleNão, movimento de mulheres contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) que levou milhares de pessoas às ruas no sábado. Ela, que chamou Bolsonaro de Coiso, disse que Bolsonaro personifica um movimento comparável ao processo de ascensão do nazismo e do fascismo. Nesse sentido, ela explica que o #EleNão é uma resposta a essa ascensão.

Ela destacou, porém, que além das pautas de minorias que estão em debate e foram evidenciadas no #EleNão, é importante mostrar “as pautas absurdas na questão econômica”. Para Ideli, um governo Bolsonaro vai acelerar ainda mais as medidas econômicas do governo Temer que prejudicam a população.

Atuação no governo

Ideli começou a carreira política em Joinville, na década de 70, atuando fortemente no movimento sindical da Educação. Foi eleita deputada estadual em 1994, sendo reeleita em 1998. No pleito seguinte, em 2002, se tornou a primeira mulher a chegar ao Senado por Santa Catarina. Em pouco tempo, tornou-se líder da bancada do PT  e terminou como líder do governo nos dois últimos anos.

“Eu cheguei meio desconhecida no Senado, pois era uma liderança de SC e nem o pessoal do PT me conhecia muito bem, com exceção do Lula, mas eu briguei tanto pelo estado que logo fui reconhecida”, disse.

Ideli concorreu ao governo de Santa Catarina em 2010, ficando em terceiro lugar. Na sequência integrou o governo e e foi um dos nomes fortes de Dilma Rousseff, chegando a ser ministra de Relações Internacionais, de Direitos Humanos e de Pesca e Aquicultura, até sair em 2015, ano em que foi para a OEA.

Relação com Udo Döhler

A candidata mencionou um “cabo eleitoral” peculiar durante a entrevista. Segundo ela, o prefeito Udo Döhler (MDB) sempre lhe agradece por três coisas: brigar pela instalação da UFSC em Joinville; a linha de transmissão e subestação de energia elétrica na região; e a discussão sobre uma reserva ambiental na Baía da Babitonga. Ela conta como brigou pelas três coisas dentro do governo federal. “Em relação a mim ele é muito justo”, afirmou sobre o prefeito.

Problemas de SC

Ideli concentra a maior parte de sua argumentação em questões nacionais. Garante que seu “compromisso zero” é descongelar os investimentos (revogar a PEC 95). É por este caminho que a candidata propõe a solução os problemas estaduais. “Santa Catarina não tem como ir mal se o Brasil vai bem”, afirmou a candidata, explicando que a economia catarinense vai bem especialmente quando o mercado consumidor está aquecido.

“Nós temos uma economia industrializada, com líderes em suas áreas, diversificada. Por isso, SC vai bem quando o país está bem. Quando você tira 40 milhões de pessoas da miséria, essas pessoas vão comer melhor, se vestir melhor e fazer puxadinho na sua casa. De onde que elas vão comprar o frango, o porquinho, a roupa e o material de construção?, questionou.

Especificamente sobre SC, ela menciona que uma das questões a tratar é o Programa de Desenvolvimento da Empresa catarinense (Prodec), que dá desonerações para empresas que atuam no estado. “Elas têm R$ 6 bilhões em um orçamento de R$ 26 bilhões”.

Durante a entrevista, ela menciona dezenas de investimentos e ações do governo petista no estado, mas diz que mesmo assim o “PT tem dívidas com Santa Catarina”, como a duplicação da BR-280, a

Texto: Felipe Silveira
Foto: Página de Ideli

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