Eduardo Rodrigues, do PSOL, quer organizar trabalhadores MEI e sem direitos

Sócio em um pequeno café vegano no centro da cidade, Eduardo Rodrigues (PSOL) tem uma das propostas mais originais entre os candidatos de Joinville à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc). Ele quer organizar os microempreendedores individuais, os chamados MEI, e outros trabalhadores que não têm ou que perderam direitos a partir das transformações no mundo do trabalho.

“Nós precisamos pensar em políticas para unificar essas categorias e pensar, daqui pra frente, em como nós vamos reverter essa situação. A reforma trabalhista está dada e não vai ter retorno tão breve, talvez nem faça sentido que volte a ser como era antes, então a gente vai ter que pensar daqui pra frente. O nosso grande desafio é reinventar a representação sindical”, explica o socialista, que tem a intenção de fundar uma entidade representativa após as eleições.

Prestes a completar 30 anos (no dia 28 deste mês), Eduardo está envolvido com política desde a adolescência. A proposta de organizar os trabalhadores MEI, no entanto, surgiu recentemente, no planejamento da campanha, quando o candidato passou a pensar sobre a própria condição. Ele também é um trabalhador que passou pela informalidade, foi MEI e hoje luta para manter a própria empresa.

Trajetória política

Eduardo nasceu em São Vicente (SP) e veio para Joinville aos 11 anos de idade, com a família. Morou no bairro Paranaguamirim durante toda a adolescência e foi ali que teve sua primeira experiência política, quando bateu na porta do comitê do ex-vereador Sandro Silva e pediu para participar da campanha à Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ). No entanto, depois de participar dos encontros do então PFL (hoje DEM), percebeu que seus ideais não batiam com os da sigla. Começou, na sequência, a trilhar seu caminho pela esquerda.

No ensino médio, começou a organizar um grêmio estudantil no SENAI Sul, o que o levou a participar de manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) de Joinville. Também participou da corrente petista O Trabalho, que era composta, à época, por integrantes da corrente Esquerda Marxista, atualmente no PSOL. Isso foi por pouco tempo também.

Eduardo queria estudar Filosofia, mas, por pressão familiar, iniciou a faculdade de Administração. Percebeu que não era mesmo o que queria e no ano seguinte começou a estudar Publicidade e Propaganda. Antes mesmo de começar as aulas, ele participou de uma reunião do movimento estudantil dos cursos de comunicação. Eduardo não terminou o curso, mas construiu uma trajetória, sendo presidente da associação atlética e do diretório central dos estudantes.

Filiou-se ao PSOL em 2013, meses antes das “Jornadas de Junho”. Atuante, presidiu o partido entre 2015 e 2017, e, como em outras entidades que presidiu, promoveu o crescimento do partido na cidade. Foi candidato à CVJ em 2016 e conquistou 400 votos, em uma campanha que precisou emprestar suas habilidades de publicitário às outras candidaturas do partido, além de lidar com a burocracia delas, já que era presidente da sigla.

Do rock ao café

Como milhares de adolescentes, Eduardo tentou ser uma estrela do rock. Montou algumas bandas e teve, como uma das primeiras experiências profissionais, um jornal voltado à cena de rock na cidade. Ali começou a empreender, o que o colocou, de certa forma, no caminho até esta campanha. Trabalhou com publicidade, montou uma pequena empresa de social media, vendeu chocolates e trabalhou informalmente até assumir a sociedade no café vegano.

Empreender para ter um trabalho

De acordo com o candidato, a reforma trabalhista já está permitindo várias mudanças que os trabalhadores estão sentindo na pele. Grandes empresas estão demitindo e sugerindo que os trabalhadores encaminhem currículos para empresas menores que foram contratadas para fazer o serviço feito pelos CLTs.

“Essa ideologia liberal que veio com a reforma tira o trabalhador de uma condição de classe e divide os trabalhadores”, explica Eduardo. Por isso, ele quer reunir MEIs, informais, terceirizados e PJs para lutar por direitos.

Inspirado em autores como Ricardo Antunes e Ruy Braga, Eduardo discorre sobre as novas dinâmicas do mundo trabalho. Conta que a reforma trabalhista não é um fato isolado, mas uma tendência que chegou à Europa nos últimos anos e gerou grandes protestos. Também explica que a maior parte dos empreendedores brasileiros não tem o ensino fundamental completo, “pois são trabalhadores que empreendem para conseguir um trabalho”.

Estado precisa voltar a ser público

Para Eduardo, “não é com tiro, porrada e bomba que se resolve o problema da violência”, que hoje aflige a sociedade brasileira. “Nós defendemos que o Estado volte a ser público, pois hoje ele está dominado por políticos que atuam em prol de interesses privados”. Segundo ele, educação, saúde e assistência social são fundamentais para reduzir a violência, destacando que o partido tem diversas propostas de políticas públicas nessa linha, destacando propostas para mulheres, lgbts e população negra.

“Nós precisamos voltar a fazer política através dos bons exemplos”, diz Eduardo. Para ele, o debate atual é pouco propositivo. “Nós queremos voltar a fazer política olho no olho, mais humana e menos virtual e distante”, finaliza.

Texto e foto: Felipe Silveira

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