Conceição Evaristo é tema de encontro do Leia Mulheres Joinville

No dia 29 de setembro, das 15 às 17h30, o galpão da Associação Joinvilense de Teatro (Ajote) sedia um encontro especial sobre a autora brasileira Conceição Evaristo. O clube de leitura Leia Mulheres Joinville vai debater o livro “Olhos D’água” (2014). A mediação do grupo é feita pela jornalista Marcela Güther. A entrada é gratuita.

O encontro terá participação especial do Projeto Folhetim, para a realização de leituras dramáticas dos contos “Maria” e “Quantos filhos Natalina teve?”. O projeto, que atua desde 2015 na cidade, tem como objetivo proporcionar espaços de escuta e discussão a partir de leituras dirigidas e dramáticas de textos literários. É uma ação do projeto de extensão do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC Campus Joinville), e conta com a coordenação do professor de língua portuguesa da instituição, Samuel Kühn.

Em “Olhos d’água”, Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta.

Leia também
“Toda literatura é militante”, diz Conceição Evaristo na Feira do Livro 2017

Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Teve que conciliar os estudos com o trabalho como empregada doméstica, até concluir o curso Normal, em 1971, já aos 25 anos. Mudou-se então para o Rio de Janeiro, onde passou num concurso público para o magistério e estudou Letras na UFRJ. Na década de 1980, entrou em contato com o Grupo Quilombhoje. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na série “Cadernos Negros”, publicada pela organização.

É mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Suas obras, em especial o romance “Ponciá Vicêncio”, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. A obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos em 2007.

Leia Mulheres

O projeto Leia Mulheres, que completou um ano em Joinville recentemente, é inspirado no #readwomen2014, projeto-manifesto criado pela escritora e ilustradora britânica Joanna Walsh. A ideia por trás da hashtag tem a ver com uma luta cada vez mais compartilhada de empoderar mulheres escritoras que sobrevivem a um mercado editorial com preponderância de vozes masculinas.

“A expectativa é que se gere o hábito de se discutir livros em clubes, em encontros, fomentando cada vez mais a curiosidade por autoras e pela leitura em si. Que se possa repensar o mercado, com as pessoas procurando mais autoras, com as livrarias expondo mais escritoras nas estantes”, explica Marcela Güther, mediadora e organizadora do Leia Mulheres em Joinville. No Estado, há outros clubes do circuito apenas em Florianópolis e Blumenau. No Brasil, o movimento, criado em São Paulo há cerca de três anos, já abrange mais de 50 cidades. Acompanhe o projeto no Facebook e no Instagram.

O Galpão da Ajote, local do encontro deste mês de setembro, fica na rua 15 de Novembro, 1383, bairro América, anexo à Cidadela Cultural Antarctica.

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Leia Mulheres Joinville

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *