Reconstruindo “PT raiz”, Wanderlei Monteiro busca uma vaga na Alesc

Wanderlei Monteiro, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), teve uma iniciação política um pouco diferente da maior parte dos concorrentes ao cargo. Na adolescência, conheceu o movimento punk, e não esquece da música que mudou sua visão e transformou sua trajetória.

“Quando escutei a música ‘Escolas’, dos Garotos Podres, eu vi que estava sendo manipulado pelo sistema sem saber”, relembra. Na época, ele conta, a escola “adestrava” os jovens para trabalhar na indústria.

Esse processo de iniciação política ocorreu por influência de um professor que veio de São Paulo para dar aulas na Escola Elpídio Barbosa, onde Wanderlei estudava. O rompimento com a indústria, a crítica ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a organização dos trabalhadores eram alguns dos temas abordados pelo mestre. Os assuntos também eram discutidos pelo movimento punk. “Eu não esqueço quando me ensinaram o que eram commodities. Ele pegou uma laranja, pegou o suco de laranja e mostrou. Nunca esqueci”, revela.

O candidato veio morar em Joinville como a maior parte de sua geração. Quando tinha 5 anos de idade, sua família, que trabalhava com plantação de fumo em Ibirama, foi obrigada a se desfazer da terra por causa da construção de uma barragem no local. Dois irmãos já estavam na então “Manchester Catarinense”, trabalhando na indústria. E foi no setor que Wanderlei construiu a maior parte de sua história. Após trabalhar por um período em uma estofaria no bairro Costa e Silva, onde mora, arrumou um emprego como operário ainda na juventude.

Apesar do tempo de indústria, foi apenas em 2011 que decidiu participar do movimento sindical. A resistência tinha influência dos tempos de movimento punk, que o fazia não ver com bons olhos qualquer organização. Diz que “quebrou muito a cara tentando lutar sozinho”, até que percebeu que não dava. Assim, quando entrou no movimento sindical, mergulhou de cabeça. Já em 2012 participou da chapa de oposição que venceu a eleição do Sindicato dos Metalúrgicos, onde atuou até se licenciar para a campanha.

A entrada no PT

O PT apareceu na sua vida antes do movimento sindical, ele conta. Aquele professor mencionado anteriormente já falava “de um cara que estava organizando os trabalhadores em São Paulo”, que era o ex-presidente e atual candidato Luiz Inácio Lula da Silva, nos tempos das Greves do ABC. Desde então o jovem Wanderlei se identificou com o PT e, sem se filiar, sempre fez campanha para o partido nas eleições.

A filiação veio em 2008, por influência do ex-vereador Adilson Mariano (que disputa uma vaga à Câmara dos Deputados pelo PSOL nesta eleição). Porém, não se identificou com a Esquerda Marxista, agrupamento político de orientação trotskista que estava no PT e hoje está no PSOL.

Há alguns anos constrói o grupo que dá sustentação para a sua campanha, focado na militância e no trabalho de base, “em ações concretas”, nas palavras do candidato.”PT raiz” é outra expressão usada por Wanderlei para definir o projeto que ele quer ajudar a construir.

Ele tem, de fato, participado de diversas lutas sociais, como movimentos de moradia e pelo direito a creche. Além disso, em 2016 Wanderlei foi candidato à Câmara da Vereadores de Joinville (CVJ) e conquistou 1.327 votos.

Luta para ser candidato

O sindicalista enfrentou resistência interna para levar adiante sua candidatura. Em entrevista ao jornal O Mirante em março deste ano, o ex-prefeito Carlito Merss disse que buscava um consenso do partido para ser o único candidato da região à assembleia estadual. Para Wanderlei, os votos não serão divididos. “São eleitores diferentes”, afirma.

Deixar de ser candidato à Alesc nunca foi uma possibilidade, garantiu ele, pois seu grupo trabalha com este planejamento há cinco anos e tinha certeza que apresentaria uma candidatura em 2018. “Antes de ter um compromisso com o presidente do partido, nós temos um compromisso com a classe trabalhadora”, afirma.

Sobre as candidaturas a deputado federal, o candidato vai fazer dobradinhas (campanhas que atuam de maneira conjunta ou em parcerias e pedem votos umas para as outras) com alguns nomes com quem tem mais afinidade ideológica, como Lino Peres, de Florianópolis, Ana Paula Lima, de Blumenau, Pedro Uczai e Dirceu Dresch, ambos da região Oeste. Entre os nomes não está mencionado o do ex-vereador Manoel Bento, que faz dobradinha com Carlito Merss.

Votos

“Com o impeachment da presidenta Dilma, a classe trabalhadora vem entendendo dia a dia que foi um golpe em cima deles”. Essa é a percepção e a aposta de Wanderlei para a eleição de 2018. Segundo ele, o PT vai fazer uma votação expressiva, mas será um voto silencioso, pois os trabalhadores, por diversas razões, não querem declarar publicamente.

O foco da campanha é em Joinville, cidade mais populosa do estado, e Wanderlei almeja alcançar 35 mil votos. Ele acredita que os candidatos que representam a cidade na Alesc atualmente não serão bem votados. Além disso, quer combater os votos brancos e nulos, intenção de muitos eleitores desacreditados com a política.

Crítica às isenções fiscais

Para Wanderlei, o maior problema do estado na atualidade é a isenção de impostos para as grandes empresas. Neste ponto ele faz questão de destacar que há uma confusão muito comum quando se fala nisso. “Tem gente que tem um mercadinho, uma verdureira, um carro e uma casa na praia e acha que estamos falando dele. Esse a gente entende que são trabalhadores que trabalham 14 horas por dia. Nós estamos falando das grandes empresas”, explica.

O candidato frisa que isso não é ser contra as empresas. “O principal objetivo do dirigente sindical é ampliar e manter os postos de trabalho, pois uma empresa falida, fechada ou que se muda de cidade é uma tragédia. Agora, não dá para ficar de joelhos para estas empresas”, opina.

Para ele, o problema econômico gera uma série de problemas sociais, como o sucateamento da educação e a falta de moradias, sendo essa uma das pautas mais mencionadas pelo candidato. “Não se consegue viver com R$ 1.300 e juntar dinheiro para dar entrada em um imóvel”, afirma. “A moradia é uma questão de dignidade”, completa.

Lançamento da candidatura

A festa de lançamento da candidatura ocorre nesta quarta-feira (29), às 19 horas, na sede recreativa dos metalúrgicos de Joinville (rua Prefeito Baltazar Buschle, 107, Comasa). O candidato ao governo de Santa Catarina pelo PT, Décio Lima, é presença confirmada, assim como os candidatos ao Senado, Lédio Rosa e Ideli Salvatti.

Foto: Felipe Silveira
Foto: Página do candidato

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