Audiência pública sobre Dia da Família ocorre nesta quarta

O Dia da Família foi instituído por um motivo lógico: se nem todas as famílias são compostas por pai, mãe e filhos, é importante adotar uma forma de comemoração que inclua outras configurações familiares. Parece simples, mas, contrariando a lógica, a bancada conservadora da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), liderada pelo vereador Jaime Evaristo (PSC), apresentou um projeto de lei que obriga a comemoração do Dia dos Pais e do Dia das Mães nas escolas da cidade.

Nesta quarta-feira (11), às 19h30, ocorre uma audiência pública para debater o PL 88/2018. Setores conservadores, ligados a igrejas cristãs, e progressistas prometem comparecer.

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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 26,8% das famílias brasileiras são formadas por mães solteiras e 881 mil lares tem homens convivendo com filhos, sem cônjuge. Além disso, há várias configurações familiares na sociedade: crianças criadas por avós, tios e tias, irmãos e irmãs, pais e mães lgbts entre outras possibilidades. Ao comemorar o Dia da Família, todas as possibilidades estão inclusas, de modo que nenhuma criança é excluída da comemoração.

Emanuelle Carvalho é uma das mães que vai comparecer à câmara municipal para defender o Dia da Família. Ela contou a própria experiência: “O pai do meu filho nunca esteve com ele em uma comemoração do Dia dos Pais e isso marca bastante, porque as crianças fazem fotos, há conversas sobre isso, há jogo de futebol com os pais. Esses momentos sempre são momentos de isolamento e eu entende que isso tem que ser diferente”, opina.

Evaristo não apresenta argumentos para defender seu projeto, mas se apega a uma tradição que não corresponde à realidade da sociedade brasileira. À comunicação da CVJ ele disse: “Queremos preservar a comemoração de Dia dos Pais e das Mães. Não podemos apagar de uma criança a imagem do pai e da mãe”.

A escalada conservadora no país é uma realidade nos últimos anos e aparecem, entre outras formas, em projetos de lei nos parlamentos municipais e estaduais do país, como o projeto Escola Sem Partido, também conhecido como Lei da Mordaça. A discussão sobre o Dia da Família é outro exemplo.

Texto: Felipe Silveira

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