Tamiris de Liz volta a correr bem e se prepara para novos voos

Tamiris de Liz era apenas uma adolescente quando ganhou o apelido de Filha do Vento. Isso porque ela “voou” nas pistas e despontou como uma das principais promessas do atletismo brasileiro no início da década. Tinha apenas 15 anos quando foi campeã brasileira de menores (sub-17) e sul-americana juvenil, em 2011. No ano seguinte, com apenas 16 anos, ganhou a medalha de bronze no Mundial Juvenil, disputado em Barcelona, na Espanha (veja o vídeo). Na semifinal dessa prova, conseguiu a melhor marca da carreira, 11s42. Essa e outras atuações a levaram para a Olimpíada de Londres, no mesmo ano, como reserva da equipe 4×100. Assim, parecia que um roteiro de grandes vitórias já estava escrito para a promissora atleta joinvilense.

Mas, no esporte e na vida, nem tudo são flores. Quatro anos depois, aos 20 anos, ela não alcançou os índices (nos 100 e nos 200 metros rasos) e ficou de fora da Olimpíada do Rio, em 2016. Nos últimos anos, ela não conseguiu repetir as atuações do início da carreira e não melhorou suas marcas. Isso poderia ser frustrante para qualquer um, mas ela garante que serviu de aprendizado. E agora, em 2018, os resultados começaram a aparecer.

Na Espanha, Tamiris conseguiu um bom resultado pela segunda semana consecutiva

No dia 20 de junho, a Filha do Vento voltou a voar. No Meeting de São João, que ocorreu em Braga, Portugal, ela fez os 100 metros rasos em 11s58, a melhor marca desde 2014. A performance deu a ela o segundo lugar da prova e a ajudou a subir no ranking brasileiro. Poderia ser um ponto fora da curva, mas, nesta quarta-feira (27), ela mostrou que não.

No XXXI Encuentro Diputación de Cáceres, na Espanha, nova prova e novo tempo abaixo dos 12 segundos. Sem vento (na prova da semana passada havia um pouco de vento a favor), ela conseguiu correr os 100 metros em 11s73. A performance rendeu a medalha de ouro e a comemoração pela continuidade. “Novamente obtive um bom resultado. É uma marca boa, que mostra que estou no caminho certo, que mantive o bom resultado da última competição”, comentou.

“Injusto dizer que não aprendi nada”

A alegria com o resultado se contrapôs à tristeza que a atleta estava começando a sentir por não conseguir melhorar sua marca. “Fiquei muito feliz em conseguir baixar meu tempo. Esse (11s58) não foi meu melhor tempo da vida, mas acredito que seja o primeiro passo pra chegar lá”, revelou a atleta joinvilense, contente por estar de volta ao cenário nacional.

Perguntada se é injusto dizer que ela voltou a correr bem, ela diz que não, mas surpreende pela maturidade com a qual encarou a fase de resultados menos expressivos: “Não é injusto, pois nos últimos anos eu realmente não vinha de bons resultados. Seria injusto dizer que eu não aprendi nada com isso, porque tenho certeza que meu maior aprendizado da carreira foi nessa fase difícil.”

A atleta explica que a fase competitiva da temporada europeia está começando agora e é nesta fase que os resultados vão surgir. Ela está confiante que coisas boas podem acontecer. “Tive alguns contratempos, como uma lesão no começo do ano, mas que foi curada a tempo e não interferiu muito para agora. Em geral, ocorreu tudo muito bem e, apesar de ter mudado de treinador de novo neste ano, estou me adaptando muito bem aos treinos.”

Depois de treinar por dois anos em San Diego, nos Estados Unidos, Tamiris se mudou para Portugal, onde treina com João Abrantes, ex-atleta e técnico renomado do atletismo lusitano. Ela e o marido, o também atleta João da Barreira, receberam boas propostas e optaram por treinar no Velho Continente.

Para a joinvilense, além de boas estruturas para treino, muitas competições se concentram na Europa e, “culturalmente falando”, Portugal é mais parecido com o Brasil. Esses são alguns fatores, de acordo com Tamiris, que contribuíram para a decisão.

Sonho olímpico

Tóquio é logo ali. Em 2020, a maior celebração esportiva do mundo será na Terra do Sol Nascente e Tamiris de Liz quer estar lá. Se não deu quando a olimpíada era pertinho de casa, “bora” tentar no outro lado do planeta. “Quero chegar e finalmente me classificar para correr uma prova individual. Tenho certeza que com o trabalho que estou fazendo hoje e com os resultados que estou tendo eu consigo chegar lá e cumprir o objetivo”, afirmou a atleta.

Para chegar ao Japão, precisa correr bem neste e nos próximos anos. Depois da temporada europeia, seu grande objetivo é o Campeonato Íbero-Americano, no Peru, em agosto. Depois disso, ela planeja disputar o Troféu Brasil e os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), que ocorrem próximo ao fim do ano.

A “Filha do Vento” terá 24 anos em 2020. Já experiente, ainda será uma competidora jovem, com possibilidade de disputar outros mundiais. O tempo obtido neste mês pode ser uma nova decolagem para novos voos.

Patrocínio

Tamiris atua pela Associação Corville de Atletismo e recebe patrocínio da Rôgga Empreendimentos há sete anos, além de apoio da Sesporte. “O patrocínio é muito importante porque é com ele que consigo me manter na Europa, manter meus treinamentos, viajar para competições, e conseguir cada vez mais melhorar meu resultado”, frisou a velocista, destacando que a empresa a apoiou em todos os momentos.

Texto: Felipe Silveira
Foto do topo: Rôgga Empreendimentos

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