Em Joinville, Sonia Guajajara pede engajamento na luta contra retrocessos

“Vamos à luta que a luta pela Mãe Terra é a mãe de todas as lutas”. Com essa frase Sonia Bone Guajajara, pré-candidata à vice-presidência da República pelo PSOL, terminou sua apresentação em Joinville, na tarde de sexta-feira (11), na UniSociesc. A frase também resumiu a apresentação de Sonia, que destacou a importância da questão ambiental e chamou os presentes para a luta política.

A atividade em Joinville fez parte da agenda de Sonia pelo sul do país, com atividades no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O evento contou com parceria da UniSociesc e da Associação Catarinense de Ensino (ACE). A doutora Liana Amin da Silva, da PUC-PR, pesquisadora de questões indígenas, foi convidada para conduzir a conversa com a primeira mulher indígena a compor uma chapa para concorrer à presidência.

Respondendo a primeira pergunta, Sonia contou sua trajetória política e a história da luta indígena no Brasil. Ela destacou a Conferência dos Povos Indígenas em 2001 como um momento marcante de sua formação. Naquela ocasião, compreendeu que nem todos os povos tinham seu território reconhecido, como seu povo, os guajajaras, já tinha, e entendeu que isso é uma luta fundamental. A partir daí, se engajou cada vez mais.

“Nesse momento, eu não pude mais ficar quieta, ficar sossegada, porque aquilo me inquietou bastante. E eu sabia que eu podia contribuir, que eu tinha como ajudar”, contou.

Outro momento marcante ocorreu em 2013, quando ela participou de um movimento em defesa da Constituição Federal (CF), que naquele ano estava fazendo 25 anos e sendo muito atacada. “Naquele momento a gente entendeu que precisava lutar pela CF, até porque é ali que estão garantidos os nossos direitos, através dos artigos 231 e o 232. É com esses dois artigos que a gente se apega para fazer a nossa luta social”. Foi neste momento, após essa mobilização, que ela passou a fazer parte da coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Para Guajajara, a população indígena sempre esteve sob ataque da sociedade e do Estado, mas mesmo assim é preciso defender a Constituição. Segundo ela, este é um momento em que se luta para não perder direitos, e isso explica sua decisão de participar da política institucional. “Nós temos que ocupar os espaços de poder e de decisão”, disse a pré-candidata à “co-presidência”.

Oficialmente, ela é pré-candidata à vice na chapa encabeçada por Guilherme Boulos, liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, mas o combinado dentro do partido e com os movimentos envolvidos é que se trate a candidatura como co-presidência. Ela, que foi indicada pelo setorial ecossocialista do partido, afirma que nunca entendeu a questão da co-presidência como uma questão menor.

A pré-candidata frisou diversas vezes à plateia de aproximadamente 130 pessoas que este é um momento grave, de perseguição política àqueles que ousam desafiar o sistema. Citou como exemplo o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, os ataques à caravana do ex-presidente Lula, a prisão de Lula e o assassinato de quatro indígenas somente no mês de janeiro deste ano, incluindo um caso em Santa Catarina.

Isso mostra que o Brasil não superou o colonialismo, a escravidão, o patriarcado e o fascismo”, disse Sonia. Para ela, tudo isso causa medo, mas é justamente por isso que é preciso lutar. “Se a gente não se mexer, não ocupar as ruas e os movimentos, a gente vai rumar para um novo período muito ruim”, avisou. “É preciso dar as mãos, se revoltar, se indignar e lutar contra isso”, defendeu Guajajara.

A pré-candidata chamou o público para se engajar e enfrentar este momento de ataques e retrocessos, em que os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário estão articulados. Sonia acredita que este sistema econômico é insustentável, destrói os recursos naturais a ataca a população. E garante que não tem outro jeito de mudar que não seja trocando a maior parte dos políticos que compõem o Congresso. Porém, ressaltou as pessoas precisam lutar por isso: “Não adianta esperar, ninguém vai fazer pela gente. Nós é que temos que lutar”.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Cedida por Yan Pedro

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