MASJ estuda relação do cará com grupos pré-coloniais e sociedade moderna

Com o objetivo de produzir uma coleção referencial para uso em futuras pesquisas arqueológicas, e para buscar mais informações sobre a história, a origem e os costumes do homem sambaquiano, o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ) está realizando estudo sobre o cará. Nesta quinta-feira (19), técnicos do museu visitaram a comunidade do Morro do Amaral para fazer um levantamento sobre as espécies de cará presentes na região, sua relação com o ecossistema e a possível representatividade que o tubérculo possui para a comunidade local.

A escolha do cará como objeto do estudo surgiu devido a uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), em 2007, que identificou no cálculo dentário de um indivíduo sambaquiano, sepultado no sambaqui Morro do Ouro, resíduos de amido de cará. A descoberta pode ser considerada uma espécie de elo que justifica a realização de pesquisas que relacionam a história de grupos que habitaram a região no período pré-colonial à sociedade atual.

“Existem muitas espécies a ser exploradas, mas nesse caso, o cará faz a conexão entre o nosso passado e o presente, nos conecta à nossa história. Essa forma de identificar alimentos com a cultura é muito importante. Podemos resgatar o conhecimento que está sendo perdido, inclusive associado à biodiversidade”, afirma Nivaldo Peroni, professor do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que acompanha o estudo.

Além do Morro do Amaral, outros dez sambaquis de Joinville serão visitados para observação da vegetação atual e verificação da existência de outras espécies nativas. “Joinville é um dos principais produtores de cará de Santa Catarina e, embora não tenha tanta visibilidade como a mandioca, é um produto cujo cultivo continua sendo tradição em diversos locais”, explica a bióloga do MASJ, Dalzemira Anselmo Souza.

O estudo sobre o cará nos sambaquis, com participação da UFSC, é uma iniciativa que ajuda a fortalecer o trabalho científico realizado pelo Museu Arqueológico de Sambaqui, já reconhecido como referência em pesquisas e estudo. “A parceria valoriza essa característica importante de Joinville e do museu, contribui para a realização de pesquisas futuras e para a própria população da cidade”, completa o professor Nivaldo.

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Prefeitura de Joinville

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