Oficinas de restauro com Sérgio Bahiense começam neste sábado

As aulas para a primeira turma das Oficinas de Restauro de Móveis de Madeira, ministradas pelo restaurador Sérgio Bahiense com patrocínio do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec), começam neste sábado (21). Profissional com formação em Bonn, cidade alemã, Bahiense tem mais de 30 anos de atuação na área.

As oficinas são gratuitas e têm a proposta de capacitar pessoas que atuam nas áreas de marcenaria, arquitetura e decoração, restauro e o público em geral para a prática da conservação de móveis de madeira. A aula inaugural é uma exceção. As regulares serão às terças e quintas-feiras, das 18 às 20 horas, no ateliê do restaurador. A segunda turma, também com sete vagas, será iniciada no segundo semestre deste ano.

As inscrições para a seleção já estão encerradas, mas, devido à grande procura, estão sendo estudadas alternativas para viabilizar novas oficinas em um futuro próximo. Ao todo, foram 90 inscritos para as 14 vagas. A seleção da primeira turma teve como critério dar prioridade a profissionais que já trabalham na área de marcenaria. Na segunda turma, foram priorizados profissionais da área de patrimônio e arquitetos – sempre com atuação na área.

Materiais

Os alunos deverão levar um móvel de madeira de pequeno porte que desejam restaurar (uma relíquia de família ou peça adquirida em antiquários, por exemplo) e o ensino será personalizado. As aulas têm como objetivo apresentar intervenções mecânicas e químicas, estruturais e/ou estéticas, com a finalidade de revitalizar os móveis, reafirmando seus valores históricos e artísticos, e respeitando ao máximo a integridade e características originais das peças.

Ao final do projeto será fornecido à Secretaria Municipal de Cultura (Secult) um inventário com a lista de móveis restaurados durante as oficinas, contendo fotos, o ano de fabricação do objeto (quando possível), a sua origem, nome do responsável e atual localização.

Restauração

A restauração é o conjunto de definições técnicas e científicas aplicadas para garantir a continuidade temporal de uma obra. É um trabalho especializado, minucioso, capaz de rejuvenescer uma peça condenada e trazer à tona a relevância histórica dela para o patrimônio cultural em que está inserido, contribuindo para a preservação da memória e da identidade de um grupo. Por sua complexidade, o restauro é uma atividade onerosa e que atualmente dispõe de poucos profissionais e cursos de formação.

Nas oficinas, serão abordados conhecimentos técnicos, práticos e humanísticos. Cada aluno terá contato prático com as técnicas básicas de desmontagem, remoção de acabamentos, colagem, combate às pragas, tonalização, remontagem e acabamento final. Com isso, eles terão meios de desenvolver habilidades manuais, precisão e percepção criteriosas das especificidades de cada bem.

Eles também receberão informações que permitam reforçar o repertório cultural e garantir a reflexão necessária durante todo o processo de restauração, o que proporcionará a atuação de forma crítica, reconhecendo o valor cultural dos objetos trabalhados.

O restaurador

Sérgio Bahiense nasceu em Joinville, em 1956. Iniciou seus estudos em Arquitetura no final dos anos de 1970 e aprendeu o ofício de Restaurador na prática, em antiquários de Bonn, antiga capital da Alemanha Ocidental, onde morou por 15 anos. Entre seus trabalhos está o restauro de móveis para antiquários de Bonn, Colônia, Koblenz e Euskirchen, na Alemanha. Também prestou serviço para a embaixada do Brasil na Alemanha e para o Museu Nacional da Colonização e Imigração de Joinville.

É um apaixonado pelo trabalho. “O grande prazer é ver a peça pronta, bonita”, revela Bahiense. Curiosamente, a restauração entrou na sua vida por acaso. Ele morava no Rio de Janeiro no final dos anos de 1970, onde cursava a faculdade de Arquitetura. Tinha, porém, o sonho de morar no exterior. Em 1980, arrumou as malas e foi para a Alemanha Ocidental. A ideia era passar apenas um tempo e conhecer uma nova cultura. A vida, no entanto, tomou outros rumos e ele casou, teve três filhos e morou no país por 15 anos.

Com a família formada, um dia precisou de uma beliche para os filhos. Olhou nas lojas e não encontrou o que queria. Mas um amigo tinha uma peça de pinho de riga – uma madeira bonita, cheirosa e adequada para móveis – e ele decidiu fazer sozinho o que precisava. “Fui às lojas para ver como era, peguei uma furadeira emprestada e fiz o beliche”. A peça fez sucesso entre os conhecidos e logo vieram as encomendas. “Me descobri ali”, revela ele, que começou a pesquisar materiais naturais, não tóxicos para suas peças.

Mas na Alemanha o profissional que deseja produzir algo tem que ter a capacitação técnica para isso. Sérgio Bahiense não tinha essa formação específica e foi buscar no restauro a qualificação profissional. “Fui para um antiquário que trabalhava com a técnica de verniz “asa de barata” ou goma laca, que é feito a partir de uma espécie de pulgão e é ideal para móveis finos. A partir daí não parou mais. Trabalhou para vários antiquários de cidades alemãs e para particulares, inclusive para embaixada brasileira na Alemanha.

Em 1995, quando decidiu voltar para o Brasil, trouxe na bagagem o conhecimento e a prática em restauro e continuou a atuar na área. Além de restauro para particulares, atuou no restauro de uma série de peças para o Museu Nacional de Imigração e Colonização.

Autodidata e sempre buscando novos desafios, hoje se dedica ao restauro de peças e busca disseminar esse conhecimento, contribuindo para a formação de profissionais e apaixonados por essa arte, que é complexa e cada vez menos comum. Ao mesmo tempo cultiva um olhar para a sustentabilidade, criando peças novas a partir do reaproveitamento de materiais que seriam descartados.

Sobre o restauro, ele não tem dúvidas em afirmar que o grande prazer da atividade é ver o resultado, a peça recuperada. “Muitas vezes quando acabava o restauro de um móvel, à noite, sentava, abria uma cerveja e ficava ali, namorando o móvel que ia embora”, conta.

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Assessoria

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