Protocolo de nascimento da Maternidade Darcy Vargas é questionado na Câmara de Vereadores

Motivada por um depoimento feito no Conselho Local de Saúde do Vila Nova, a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores debateu, na última terça-feira (10), possíveis problemas em partos da Maternidade Darcy Vargas. O principal questionamento estava relacionado ao protocolo que valoriza o parto normal.

A manifestação realizada foi de Alexandre Carlos da Silva. Sua esposa esteve em trabalho de parto em outubro do ano passado e, conforme depoimento prestado por ele na reunião da comissão, os procedimentos do hospital foram de indução a um parto normal, quando ele e a esposa solicitaram a realização de uma cesariana.

Alexandre contou que a gestação estava em 39 semanas e alegou que o parto normal ocasionou formato oval da cabeça da criança. O pai entende que problemas posteriores de saúde do bebê estavam relacionados a essa situação.

Para Alexandre, casos como esse estão ocorrendo com frequência e isso está relacionado ao protocolo que a maternidade segue, que prioriza o parto normal.

Conforme a gerente técnica da maternidade, a pediatra Deli Grace de Araújo, é o protocolo que assegura um tratamento igualitário às pessoas atendidas, evitando que cada médico ou enfermeiro aja conforme suas próprias convicções.

Ela explicou que o protocolo de nascimentos depende muito de cada caso e nas situações tidas como ideais (nas quais não haja risco em razão de doença crônica ou situações similares) a diretriz do Ministério da Saúde é de que a cesariana só seja realizada após a internação após 42 semanas. Antes disso, a orientação é de que seja realizado parto normal. No caso da Darcy Vargas, a cesariana ocorre após 41 semanas e dois dias.

A pediatra argumenta que o parto normal é visto como uma das formas mais indicadas para a realização de nascimentos, uma vez que as mulheres podem retornar às suas atividades habituais em pouco tempo. A cesariana é vista como uma operação capaz de pôr a mulher e o bebê em risco de infecção.

Na Darcy Vargas, o índice está entre 36% e 38% de cesáreas nos últimos anos, de um total de 6.218 nascimentos foram registrados na unidade. As representantes da maternidade disseram que, de todos os nascimentos no ano passado, menos de 30 resultaram em morte de bebês.

O vereador Maurício Peixer disse compreender os argumentos de que o parto normal é o mais indicado para a saúde mulher, mas disse que entende que cabe também a ela a decisão de ir ou não para a cesariana e que tal decisão deve ser respeitada. O parlamentar propôs que a reivindicação de revisão do protocolo trazida pelas famílias seja retomada no âmbito técnico da maternidade.

Edição: Alexandre Perger
Foto: ADR Joinville

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