PT Joinville quer Carlito Merss na disputa à Assembleia Legislativa

Ele ainda não confirma, mas o ex-prefeito Carlito Merss é o nome mais cotado do PT joinvilense para concorrer a um cargo na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc). Localmente, o partido trabalha para chegar a um consenso e lançar apenas um nome para cada disputa ao legislativo (estadual e federal), aumentando as chances de conseguir uma representação da região norte no parlamento estadual. Segundo Carlito, no entanto, seu nome está à disposição da sigla para outras tarefas, incluindo a função de vice na chapa ao governo do estado.

À disposição, mas nem tanto. O político não quer concorrer à Câmara dos Deputados. Alega que o desgaste é muito grande, durante a campanha e durante o mandato. “Florianópolis é aqui do lado e é mais tranquilo”, disse Carlito, que atualmente trabalha na capital como representante da União na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc). O ex-prefeito passa alguns dias em Florianópolis e outros em Joinville, nas agendas do partido.

Trajetória política

Formado em Economia, o ex-professor Carlito Merss já foi vereador, deputado estadual, federal e prefeito de Joinville. Disputou 14 eleições, sendo eleito à Câmara de Vereadores em 1992. Chegou a Alesc após vencer a eleição de 1994, quando fez 19.513 votos. O próximo passo, Brasília. Eleito em 1998, ficou na capital federal até 2007. Ganhou destaque nacional quando foi relator-geral do orçamento da União para 2006.

Mas o objetivo mesmo era a prefeitura de maior cidade do estado. Conseguiu em 2008, após derrotar Darci de Matos (à época no DEM) no segundo turno, com 170.955 votos. Antes disso, tentou quatro vezes: 1988, 1996, 2000 e 2004. O bom momento do governo Lula e a carreira como parlamentar o credenciavam para o comando executivo. Governou durante quatro anos, com destaque para o saneamento básico e na área cultural.

Enfrentou, no entanto, uma oposição diária nas rádios da cidade e críticas da população que já sinalizavam o crescente sentimento anti-petista. Tentou a reeleição em 2012 e crescia nas pesquisas, com chance de chegar ao segundo turno, quando teve a candidatura cassada. “Minha cassação foi um golpe”, afirmou, acusando a oposição, em conluio com o judiciário, pela manobra.

“A oposição bateu na tecla de que não adiantava votar no Carlito e isso nos tirou muitos votos. Mesmo assim, fizemos perto de 60 mil votos”, contou. Os votos, no entanto, não foram computados. A absolvição veio depois de um ano e quatro meses depois, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e devolveu os direitos políticos para Carlito e para Eli Voltollini (PP), vice que também havia sido condenado na ocasião.

Após a frustração, foi trabalhar em Brasília, na Frente Nacional de Prefeitos, onde ficou por um ano e meio. Voltou a Santa Catarina para disputar a eleição de 2014 , mais uma ao Congresso Nacional. Recebeu 37.167 votos e ficou na condição de suplente. Em 2016, tentou novamente a prefeitura, “mais para não deixar o partido morrer”. Fez 17.870 votos.

Aos 62 anos, largou o futebol, seu hobby semanal, por causa de uma cirurgia na perna que o deixou de cama por dois meses e de muletas por mais alguns. Também está afastado dos cargos políticos há alguns anos, mas, diferentemente do futebol, pode voltar à ativa em breve. Vai depender da costura partidária e de uma eleição em que tudo pode acontecer.

Críticas ao governo

Carlito não poupa críticas ao governo de Udo Döhler, o que chamou de “pior governo da história”. Para ele, a cidade está abandonada, mas há um “silêncio sepulcral” a respeito da atual gestão. Ele afirma que a imprensa na cidade não existe e cobra a atuação de movimentos como o Passe Livre (MPL), muito atuante durante o seu governo. O ex-prefeito lamentou que o governo municipal tenha devolvido verba federal. “Isso é a coisa que mais me dói”, disse.

Carlito afirma que deixou muitos projetos prontos. Já o atual governo defende que teve que refazer vários projetos e que pegou a prefeitura endividada. O petista também comentou a falta de regulamentação para o estacionamento rotativo. “É uma decisão política. É impossível que um prefeito não consiga fazer essa licitação”, acusou. Carlito também lembrou que entidades como a ACIJ e a CDL não fazem críticas ao prefeito, enquanto seu governo não teve folga.

Em relação ao governo catarinense, Carlito chamou Raimundo Colombo (PSD) de mal-agradecido, pois Santa Catarina foi o estado que, proporcionalmente, mais recebeu investimentos dos governos do PT. Além disso, para ele, a situação estadual é trágica.

“Os últimos 16 anos foram desastrosos. Será preciso três boas gestões para recuperar o estado, que não tem capacidade alguma de investimento”, opinou Carlito. Por incrível que pareça, Carlito culpou, em tom de brincadeira, o ex-presidente Lula. “Para derrotar as oligarquias, ele apoiou o Luiz Henrique da Silveira aqui, e isso foi um desastre. Foram 16 anos de retrocesso.”

Se eleito, afirmou que vai atuar na questão orçamentária, sua especialidade. Carlito defende o fechamento total das Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs), que chama de cabide de empregos, e propõe o uso do orçamento regionalizado, que é a discussão regional do orçamento.

Bom momento do PT

A reportagem do jornal O Mirante foi recebida pelo possível pré-candidato na sede do PT joinvilense. Carlito estava acompanhado pelo presidente municipal da sigla, Marquinhos Fernandes, que também é um dos nomes cogitados para a disputa eleitoral. Ambos destacaram o bom momento petista, com recuperação do apoio popular. No mesmo dia da entrevista, terça-feira (13), uma pesquisa do Ibope mostrava que o PT lidera a preferência dos brasileiros entre as siglas partidárias, com 19%. PMDB e PSDB estão bem atrás, com 7% e 6%, respectivamente.

“Disseram que demoraria décadas para o PT se reerguer e falaram até em mudar de nome, mas a nossa recuperação foi muito rápida”, comentou. O ex-prefeito contou que o pior momento foi entre 2014 e 2016, período em que escutava xingamentos na rua. Isso, segundo ele, mudou. “Algumas pessoas vêm pedir desculpas. Outras não pedem, mas você percebe que querem apoiar e corrigir o erro”, revelou.

Ele também destacou os pedidos de filiação e a recuperação dos diretórios municipais do PT na região. “Graças ao Marquinhos, recuperamos o PT Joinville. Além disso, no pior momento, quase todos os diretórios dos municípios vizinhos foram fechados. Hoje estão reabertos, sendo apenas um com comissão provisória”, observou.

Críticas ao petista

Carlito nega que tenha se ausentado da política após derrotas nas urnas. “Eu fui candidato em 2014 e 2016. Como posso ter me ausentado?”, questionou. O ex-prefeito argumentou que precisava trabalhar para ganhar a vida. Primeiro, em Brasília. Depois na Junta Comercial. A cirurgia na perna também contribuiu para deixá-lo longe dos holofotes. Por fim, comentou que, sem cargo, parou de ser chamado pela imprensa para dar entrevistas.

Outra crítica sempre lembrada é o reconhecimento da dívida do município com as empresas Transtusa e Gidion, que operam o transporte público sem licitação. Carlito foi um opositor das empresas durante a atuação parlamentar, mas seu último ato com a caneta de prefeito foi o reconhecimento de uma dívida de R$ 125 milhões, o que concedeu uma vantagem jurídica considerável às empresas. Carlito defende que o reconhecimento é resultado de um acordo, pois as empresas pediam R$ 340 milhões na Justiça.

PT catarinense se movimenta

Carlito Merss faz parte da equipe que pensa o plano de governo do PT catarinense. O pré-candidato, até o momento, é o deputado federal Décio Lima, com base na região do Vale do Itajaí. Porém, o parlamentar pode deixar a tarefa para o desembargador aposentado Lédio Rosa de Andrade, convidado para se filiar ao PT na noite de segunda-feira (12). Nesse caso, Décio pode ser candidato ao Senado. De todo modo, não vai disputar a vaga no Congresso Nacional. A deputada estadual Ana Paula Lima, esposa de Décio, e seu colega de Assembleia Dirceu Dresch, devem concorrer à vaga em Brasília, abrindo espaço para outros petistas na Alesc.

Para Marquinhos Fernandes, Joinville está sub-representada na Alesc e é preciso acertar a estratégia para mudar isso. “Sempre que dividimos, perdemos”, comentou. Com arestas internas a aparar, o PT Joinville quer apostar em seu principal nome para chegar lá.

Reportagem: Felipe Silveira
Foto: Página de Carlito Merss no Facebook

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