Mulheres promovem 8M por direitos iguais e contra a violência em Joinville

Contra o machismo e o assédio, contra a violência doméstica e a diferença salarial, por direitos iguais, por mais segurança e liberdade. Mulheres de todo o mundo celebram neste 8 de março mais um Dia Internacional da Mulher, uma data de luta e de homenagens àquelas que lutaram antes. Chamada de 8M na cidade, no Brasil e no mundo, a mobilização feminista reúne mulheres para lutar pelos seus direitos.

Em Joinville, o Fórum de Mulheres, em parceria com várias entidades e organizações feministas, promove uma série de atividades ao longo da quinta-feira (8). Antes disso, já na quarta (7), ocorre o evento de abertura do 8M, com debate e apresentação da peça “Mãe-Criada”, obra da Dionisos Teatro que narra o “nascimento de uma mãe”. O espetáculo é estrelado pela atriz Clarice Steil Siewert. O evento ocorre no Galpão de Teatro da Ajote, na Cidadela Cultural Antarctica, e é aberto ao público.

Na quinta, a concentração tem início às 14 horas, na Praça da Bandeira, e as atividades começam às 15 horas. Dona Irma Kniess, do Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Bráz (CDH), vai fazer a fala de abertura. Quando o assunto é luta por direitos, Dona Irma é a grande referência da cidade. A partir das 15h15, estão marcadas diversas atrações artísticas e políticas, sempre com a temática do feminismo. Também haverá assistência jurídica para mulheres e outras atrações.

A última atividade na Praça da Bandeira está marcada para as 19h30. Será uma apresentação do grupo de maracatu Coletivo Baque Mulher. Logo após, às 20h30, uma apresentação teatral encerra o 8M. A peça “Traços Femininos”, da Casa Teatral Produções, será encenada no palco da Liga da Sociedade Joinvilense (rua Jaguaruna, 100, Centro). O evento é aberto ao público.

8M

O 8M, chamado assim por causa do 8 de Março, promove a Greve Internacional das Mulheres. Considerando que nem todas podem abdicar de um dia de trabalho, a organização propõe várias formas de participação. Uma delas é a não realização de tarefas domésticas, evidenciando o quanto as mulheres são sobrecarregadas por essas tarefas no dia a dia.

Trata-se de um movimento global que ganha diferentes contornos em cada lugar. Nos Estados Unidos, mulheres protestam contra o machismo do presidente Donald Trump. No ano passado, elas fizeram as maiores mobilizações americanas. Na Europa, o movimento começou na Polônia, onde um projeto tornava mais dura a legislação sobre interrupção da gravidez. Na Argentina, o feminicídio brutal de uma adolescente, Lucía Perez, em 2015, deu início ao movimento chamado Ni Una Menos (Nem Uma a Menos), que se espalhou pela América Latina. No Brasil, o movimento de mulheres ganhou força contra a PEC 181/2015, que proibiria o aborto em todos os casos, incluindo estupro.

Com sua centenária história de luta, o movimento feminista ganhou força nos últimos anos com o 8M. Com pautas e histórias similares, as mulheres de todo mundo se mobilizaram contra as opressões.

Violência contra mulheres

Os números da violência contra a mulher no Brasil são alarmantes. O país é o quinto que mais mata no mulheres no mundo por razões de gênero, o chamado feminicídio. Os dados são de 2016, da Organização das Nações Unidas (ONU).

A taxa de feminicídios era, à época, de 4,8 para 100 mil mulheres. Em 2015, o Mapa da Violência sobre homicídios entre o público feminino revelou que, de 2003 a 2013, o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54%, passando de 1.864 para 2.875. Do total de feminicídios registrados em 2013, 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

A violência doméstica também é muito forte no país. Estima-se que os números sejam bem maiores do que os registrados nas delegacias, já que uma boa parte dos crimes não é denunciada.

Prefeitura promove apitaço

“Apite! Denuncie! Assédio e violência sexual contra a mulher, nunca mais!”. Este é o convite de um ato que será realizado no dia 8 de março. Munidas de apitos, grupos de mulheres irão realizar uma campanha, promovida pela Prefeitura de Joinville e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), incentivando a denunciar casos de violência contra a mulher.

O “apitaço” ocorrerá em diferentes horários e nos seguintes locais: 8h30, na Prefeitura de Joinville; às 10 horas, na Delegacia da Mulher; às 13h30, no Fórum de Joinville; e às 18 horas, na Praça da Bandeira.

Além disso, foi feito um vídeo para divulgar a importância da denúncia. O vídeo será divulgado nas redes sociais e também no circuito de TV dos terminais de ônibus do transporte coletivo de passageiros.

“A campanha é importante para incentivar as denúncias contra as agressões. A violência contra a mulher não é denunciada por vários motivos, como o medo, a vergonha e a descrença na lei”, explica a presidente do CMDM, Júlia Melim Borges Eleutério.

De acordo com a Secretaria de Assistência Social, a cada dia surgem de 12 a 13 denúncias em Joinville, sendo considerado que para cada ato denunciado ficaram outros dois sem registro.

Além da Delegação de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, há um canal aberto para denúncias, o telefone 180. O número pode ser acionado em situação de violência física, psicológica, maus tratos contra a mulher e abandono. Os casos companhados pelaSAS e órgãos policiais.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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