Estudantes denunciam truculência da PM em Happy Hour universitário

Estudantes universitários realizam, tradicionalmente e no mundo todo, festas e cervejadas nos primeiros dias de aula. Não é diferente em Joinville, em especial na região das maiores universidades da cidade, Udesc e Univille, onde os estudantes se encontram justamente nos arredores de um bar na frente das duas instituições.

Na noite de quinta-feira (22), no entanto, policiais militares decidiram acabar com o encontro dos estudantes que lotavam o local. Dizendo que os eles estavam impedindo a circulação dos ônibus, policiais resolveram dispersar a multidão com spray de pimenta e atitudes truculentas. Até o helicóptero da PM circulou por cima dos estudantes.

Segundo relatos, a PM apareceu com duas vans, três viaturas e três motos, altamente armada e mandando dispersar. “Sem paciência do povo dispersar, tascou spray de pimenta na galera, e tudo isso alegando que os ônibus não estavam passando. Eles estavam, mas um pouco mais devagar”, relatou um estudante que não quis se identificar.

Operação Choque de Ordem aumentou o efetivo policial na cidade – Foto: PMSC

Outra estudante que também preferiu permanecer no anonimato contou que a ação policial não atingiu apenas os participantes da cervejada. Ela estava para entrar no ônibus quando inalou o gás de pimenta e não conseguiu mais respirar direito. Ao mesmo tempo que começou a ouvir tossidas de pessoas na rua e dentro do ônibus. Dentro do veículo, estudantes e trabalhadores foram atingidos pelo gás que provoca uma sensação bem forte de desconforto.

No mesmo dia, a PMSC anunciou um reforço no policiamento em Joinville, com a “Operação Choque de Ordem”. Um contingente policial militar oriundo de diversas regiões do Estado permanecerá na cidade pelas próximas semanas para reforçar ações e operações de polícia ostensiva na cidade.

A justificativa é o combate à criminalidade, mas uma parte deste contingente foi deslocada para dispersar uma cervejada universitária.

Texto: Felipe Silveira
Foto de capa: Cedida por estudante que não quis se identificar