Professores paralisam atividades após exoneração de diretor em Joinville

Professores da Escola Municipal Professor Sylvio Sniecikovski, localizada no bairro Jardim Paraíso, na zona Norte de Joinville, decidiram paralisar as atividades em sinal de protesto na manhã desta sexta-feira (9). O estopim para a paralisação dos educadores foi a exoneração do diretor da unidade. Esta semana, a falta de professores no colégio levou o diretor e sua equipe a dispensarem estudantes do sexto ao nono ano. A Secretaria de Educação (SED) informou que realizou contratação de professores para atender a demanda e que nas faltas pontuais a equipe técnico-pedagógica deve atender aos alunos.

Com a falta de professores no início do ano letivo, a direção decidiu dispensar os alunos do sexto ao nono ano nos dias 7 e 8 de fevereiro. Após esta medida, tomada sem o conhecimento da Secretaria de Educação, o diretor da unidade foi exonerado do cargo. A medida provocou revolta nos professores, que foram às redes sociais protestar e cobrar explicações do governo municipal. Em um ato de solidariedade ao colega, eles também decidiram pela paralisação das atividades nesta sexta-feira. Centenas de alunos foram à escola, mas não tiveram aula. Uma equipe da SED esteve no local e conversou com professores e pais de alunos.

Por telefone, o agora ex-diretor da escola, Cleber de Souza, de 38 anos, falou sobre sua exoneração. Ele disse que em janeiro pediu à SED para deixar o cargo, mas que sua saída aconteceria de outra maneira, a partir de março. “Do dia para noite eu não pude mais entrar na escola que eu trabalhei sete anos”, disse Cleber, que agora deve retornar à sua função de professor. Ele atribui a exoneração à sua decisão de dispensar os alunos e ironiza: “como se fosse eu que contratasse”. Segundo Cleber, faltam nove professores na Escola Professor Sylvio Sniecikovski. A Secretaria de Educação não revelou a quantidade de professores faltantes.

A SED informou que a saída do diretor da escola, que possui 1073 alunos e 33 professores, ocorreu a pedido do próprio servidor. “Neste caso específico, outros profissionais assumiram de forma temporária até a finalização do processo de banca, que define a nova gestão da escola. A Secretaria da Educação realizou contratação de professores para atender a demanda. Nas faltas pontuais, como atestado médico ou outras ausências, a equipe técnico-pedagógica atende aos alunos”, informou em nota a Prefeitura de Joinville. Os professores encerraram a paralisação e trabalharam normalmente na tarde desta sexta-feira.

“Todos os dias faltam servidores, por vários motivos. A gente tem um time dentro da Secretaria de Educação para estas ocasiões. Não temos um banco de reserva, temos uma equipe. A falta de professores não é motivo para liberar os alunos. Nós temos direção executiva, gerência e as coordenações que dão suporte para as equipes que estão nas escolas. Os diretores não estão sozinhos”, afirmou o secretário, que comentou a exoneração do diretor. “Não exoneramos o diretor simplesmente por ele ter liberado os alunos. Ele pediu pra sair”, alegou para O Mirante o secretário de Educação Roque Antonio Mattei.

Sobre a falta de professores na rede municipal, o secretário afirmou que “o prejuízo é mínimo”. Ele diz que a maioria dos casos de falta de profissionais é resolvida na escola, com professores substitutos. Entre os motivos para falta de professores, ele cita atestados médicos, aposentadorias, exonerações e afastamentos temporários. Uma das dificuldades, segundo ele, é a contratação de professores de ensino religioso. “A gente não deixa de atender os alunos. Existe um currículo que a gente tem que trabalhar. Outro professor entra, a gente repõe. Ao logo do tempo, a perda não é significativa”, defendeu o secretário.

Mães dizem que situação é recorrente

A falta de professores na escola não é novidade. Pelo menos é isso que dizem duas mães de alunos. Odinéia da Silva da Veiga, que tem dois filhos na escola e integra a Associação de Pais e Professores (APP), diz que a falta de professores é recorrente. “Nossa escola sempre fica em segundo plano para a Secretaria de Educação, como na distribuição de livros e uniformes”, afirmou Odinéia. “É impossível qualquer pessoa assumir e conseguir fazer um bom trabalho na escola com essa situação. Tínhamos um diretor que se doava inteiramente, que se preocupava num todo com a comunidade e o perdemos por falhas da SED”, reclamou.

Natália Souza Pereira, que também tem filhos no colégio, diz que é contra a exoneração do diretor. “Meu filho mais velho se formou em 2016 e por falta de professores não tinha todo conteúdo. Acho que infelizmente as coisas tem que chegar ao extremo para que algo de concreto aconteça, pois essa falta de professores não é de hoje. O diretor apenas quer o que é de direito dos alunos. Cadê a humanização, o respeito com o nosso bairro e principalmente com os alunos? Isso tem que acabar. Só queremos ser vistos e ter condições melhores e qualidade de ensino”, afirmou a moradora do bairro Jardim Paraíso.

“A escola está em choque”

Em um texto publicado no Facebook, a professora Cintia Soares opinou sobre a situação na Escola Municipal Professor Sylvio Sniecikovski. Ela reclamou que o ano letivo iniciou de “forma caótica”, sem professores e outros profissionais. “A escola está em choque, pois é visível o bem que o presente diretor estava fazendo para os alunos, para o corpo docente e para a comunidade. Venho aqui pedir o apoio de todos que acreditam na educação, pois o corpo docente e demais funcionários irão paralisar suas atividades, não iremos para sala de aula enquanto tamanho descaso estiver acontecendo”, publicou a professora na quinta-feira.

Texto: Alex Sander Magdyel
Foto: Divulgação

2 comentários em “Professores paralisam atividades após exoneração de diretor em Joinville

  • 9 de Fevereiro de 2018 at 9 de Fevereiro de 2018
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    A falta de professores na rede municipal de ensino é um caso recorrente, e não só por atestados e aposentadorias, a secretaria de educação quer que a equipe administrativa cubra as faltas mas é a reposição dos conteúdos como fica, a educação é uma mentira que o povo acredita pois temos diretores precionados, professores e equipe administrativa sobrecarregados doentes desde que esse governo assumiu é assim, descaso total se o IDEB sobe é pelo esforço descomunal de professores que se doam incansavelmente para os alunos. Passem um dia dentro de uma escola e vocês saberão das dificuldades encontradas.

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  • 10 de Fevereiro de 2018 at 10 de Fevereiro de 2018
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    Isso é muita injustiça cara temos que fazer algo tantas pessoas querendo trabalhar e não podem foi injustiça o que fizeram com o nosso querido diretor Cléber depois de tudo o que ele fez para nós temos que fazer algo por ele vamos te ajudar em tudo o que podemos 😔😔😔😖😖😧

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