Leonel Camasão, do PSOL, é pré-candidato ao governo de Santa Catarina

O jornalista Leonel Camasão (PSOL) anunciou sua pré-candidatura ao governo do estado de Santa Catarina. Ele ficou conhecido em 2012, quando disputou a eleição para a Prefeitura de Joinville. Morando em Florianópolis com a família desde 2016, Camasão preside o PSOL da capital e trabalha como assessor de imprensa no gabinete do vereador Afrânio Boppré (PSOL).

O partido vai bater o martelo sobre seu representante em conferência eleitoral que deve ocorrer antes do fim de março. Outras candidaturas podem aparecer, mas Camasão é a indicação do agrupamento que venceu o último congresso da sigla, em outubro do ano passado, de modo que é bastante provável que tenha seu nome referendado pela maioria dos 65 delegados de todas as regiões do estado que são esperados no evento.

Mesmo assim, Camasão segue em busca de apoio interno. No último domingo (4), ele esteve em Joinville para conversar com militantes de outra tendência interna do PSOL sobre o assunto. Ele também busca assinaturas de militantes ao manifesto de apoio.

“O meu nome surgiu em outubro, na época do congresso do partido, e, após meses de conversa, chegamos à conclusão de que é o melhor nome para a tarefa. Estamos animados com essa possibilidade”, contou Camasão. Ele ainda mencionou que conta com o apoio de algumas das principais figuras do PSOL catarinense, como os vereadores Afrânio Boppré e Marcos José de Abreu, além do professor Elson Pereira, terceiro lugar na disputa à prefeitura da capital em 2016, com 51.106 votos.

Trajetória política

Nascido em São Paulo, Leonel Camasão chegou em Joinville durante a adolescência, em 2001. Despertou para a política ainda na escola, quando atuou no grêmio estudantil do Escola de Ensino Médio Governador Celso Ramos. Na juventude, ajudou a construir e militou pelo Movimento Passe Livre (MPL) de Joinville. Ingressou no curso de Jornalismo da Associação Bom Jesus/Ielusc, em 2004, e presidiu o diretório acadêmico em uma época que o movimento estudantil foi bastante atuante no município. Formado, chegou a cobrir a eleição de 2008 como jornalista pelo jornal A Notícia. A vida política, no entanto, falou mais alto, e pouco tempo depois ele estava do outro lado do balcão.

Em dezembro de 2008, com outros militantes do MPL, decidiu apostar no PSOL, a sigla com ideais de esquerda e postura crítica ao Partido dos Trabalhadores (PT), que então governava o país na figura de Lula. Aquele grupo, no entanto, seguiu trajetórias diferentes dentro do partido. Camasão se aproximou do grupo de Afrânio Boppré, a Ação Popular Socialista (APS), e abraçou o partido, trabalhando fortemente pelo seu crescimento em todo o estado e assumindo diversas funções ao longo dos anos. Nesse período, a família também cresceu. É casado com Rebecca Neto, também militante do partido, com quem tem dois meninos, de 6 e 4 anos.

Aos 31 anos, já participou de três eleições (sem contar as estudantis e sindicais). Em 2010, fez uma boa estreia nas urnas, com 1.675 votos para a Câmara Federal. Dois anos depois, causou boa impressão em uma disputa apertada para a Prefeitura de Joinville. Foram 10.017 votos. Da época, ele se orgulha de ter pautado temas que, acredita, não seriam discutidos, como tarifa zero no transporte público, federalização da Univille e questões de gênero (feminismo e LGBT).

Brigou por uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) em 2014. Com 5.807 votos, ficou na 125ª posição. Preferiu não disputar a eleição de 2016. Morando há pouco tempo em Florianópolis e cursando o mestrado em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ficou somente nos bastidores. Nessa época, além de dirigente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (é o tesoureiro da entidade na atual gestão), também fazia parte da direção estadual do partido. Após o hiato, volta à eleição com um grande desafio: disputar o maior cargo de Santa Catarina.

Reorganizar a esquerda

De acordo com Camasão, o principal desafio do PSOL é “capitanear um processo de reorganização da esquerda em nível nacional e também em Santa Catarina”. Ele entende que o ciclo político liderado pelo PT se encerrou tragicamente, com o golpe no país, e a condenação de Lula – “injusta, em um processo sem provas”, frisou – dá fim à tentativa de dar sobrevida a este ciclo.

“Nosso objetivo é mostrar que podemos liderar um novo ciclo político à esquerda e, do ponto de vista programático, podemos apresentar um programa mais avançado do que foi o ciclo petista. O PSOL reconhece os avanços deste ciclo, mas se coloca em uma posição crítica, reconhecendo também as limitações. Acreditamos que é possível radicalizar um pouco mais, no bom sentido, no sentido de mudanças estruturais que são necessárias na sociedade brasileira e de Santa Catarina também”, afirmou.

Para a campanha, Camasão afirma que vai discutir a terceirização na Saúde e a dívida bilionária deixada pelo governador Raimundo Colombo na mesma pasta. “Uma de nossas prioridades é rever esses contratos, avaliar como eles foram produzidos, para ter mais clareza sobre essa dívida e analisar de que maneira o estado pode resolver este problema”, disse.

Sobre os desafios eleitorais, Camasão tem a missão de fazer bonito na campanha estadual e ajudar a eleger deputados estaduais e federais para o partido. “Porque isso se torna um importante ponto de apoio para as nossas lutas, em defesa dos nossos ideais”, revelou.

O programa de governo, segundo o pré-candidato, será discutido com a militância do partido em todas as regiões do estado, em eventos que serão previamente divulgados.

Texto: Felipe Silveira
Foto: PSOL Florianópolis

7 comentários em “Leonel Camasão, do PSOL, é pré-candidato ao governo de Santa Catarina

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *