“Vamos entrar com ação contra o Estado”, afirma pai de Jonatas após bloqueio de bens

Reportagem
Alex Sander Magdyel

Após manifestações nas redes sociais e até um protesto em frente ao Fórum da Comarca de Joinville, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou o bloqueio dos valores arrecadados pela campanha AME Jonatas e de um veículo no valor de R$ 140 mil em nome dos pais da criança. O MPSC ainda requisitou à Polícia Civil a instauração de um inquérito para apurar indícios do crime de apropriação indébita. A decisão é passível de recurso. Os pais negam as acusações e informam que vão entrar com uma ação contra o Estado.

Criada para arcar com o tratamento de Jonatas, um menino de um ano de idade que tem Atrofia Muscular Espinhal (AME), a campanha repercutiu nacionalmente e contou com a participação de famosos como os artistas Danielle Winits e André Gonçalves, que destinaram o cachê de uma apresentação teatral em Florianópolis para a campanha. As denúncias contra os pais de Jonatas aumentaram após viagem realizada em dezembro para Fernando de Noronha, lembrado pelo MP como “um dos destinos mais caros do Brasil”.

O jovem Renato Openkoski, pai de Jonatas, diz que a viagem foi paga por um médico que eles conheceram durante a campanha e que se tornou amigo da família. Renato garante que seu filho, durante os quatro dias de viagem, foi acompanhando por profissionais e pelos seus pais, que moram com ele e ajudam no tratamento do pequeno.

“O doutor Danny Cesar é dono da maior clínica de estética de Santa Catarina, a clínica Paris, de Balneário Camboriú. Ele e sua esposa são padrinhos do Jonatas, ele é o nutrólogo que acompanha nosso filho. Ele conheceu a história do Jon, fez várias doações, ajudou muito na campanha. Nós temos uma amizade muito grande. Ele conhece nossa luta, nós ficamos um ano dentro de um hospital, 24 horas cuidando do Jonatas. Ele nos convidou, falou que seria bom para nós, para espairecer a cabeça, sair um pouco da rotina”, explicou Renato.

Sobre o carro, que também foi bloqueado, Renato admite que fez a compra com o dinheiro da campanha. “O Jon precisa de um carro grande, um carro espaçoso. Precisamos transportar os aparelhos dele, não é qualquer carro que dá para levar o Jon”, afirma.

Conforme nota publicada no site do Ministério Público e divulgada nas redes sociais, as medidas foram tomadas em ação da 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville, ajuizada em 2017 para aplicação de medida de proteção à criança. O MP-SC informou que a Promotoria de Justiça atendeu “cidadãos apontando que os pais da criança estariam utilizando os recursos arrecadados para levar uma vida de luxo”. Na tarde de segunda-feira (15), um grupo se manifestou em frente ao Fórum da Comarca de Joinville cobrando explicações.

De acordo com Aline Boschi Moreira, promotora de Justiça, havia sido acordado em audiência judicial que o casal prestaria contas dos recursos arrecadados pela campanha e despesas efetuadas e que os valores seriam depositados em uma conta judicial até o dia 31 de outubro de 2017. Os pais do menino, no entanto, não cumpriram o acordo. Para a promotora, “não se pode descartar, pelo menos nessa análise inicial, possível utilização de parte das doações para fins distintos daquele almejado: a garantia do direito à saúde de Jonatas”.

Renato considera injusta a acusação de que ele e sua esposa estariam tendo uma vida de luxo. “Nossos advogados já tomaram ciência do processo e essa semana o desbloqueio já vai estar encaminhado. Como que alguém pode afirmar que estamos levando uma vida de luxo quando você tem um filho na situação do Jonatas? Acho que essa é uma colocação injusta, totalmente sem nexo. Só quem tem um filho especial, um filho na situação do Jonatas, sabe como é o dia-dia-dia de um pai e de uma mãe”, defende-se Renato.

No dia 7 de janeiro, no Hospital e Maternidade Jaraguá, Jonatas recebeu a primeira dose de Spinraza, um medicamento raro comprado com as doações recebidas. A próxima aplicação, de acordo com os pais, estava marcada para o próximo fim de semana. Nas redes sociais, no entanto, eles afirmaram que a aplicação poderá ser adiada em função do bloqueio dos bens.

“Os valores precisam ser desbloqueados urgentemente, o Jonatas precisa. Ele necessita dos valores para sobreviver. Não é questão de luxo, é de sobrevivência. Estamos buscando recursos. Os danos foram muitos. O Jonatas teve danos com esse bloqueio e nós vamos entrar com uma ação contra o Estado”, afirma Renato.

“Ataque midiático”

Nas últimas semanas, os pais de Jonatas, Renato e Aline Openkoski, têm recebido uma série de críticas nas redes sociais. Pessoas que ajudaram na campanha agora reclamam da falta de transparência do casal. Há até quem clame pela prisão dos pais do garoto. Renato Openkoski lamenta a repercussão negativa que a campanha está tendo e diz que “em nenhum momento o tratamento do Jonatas foi negligenciado”. Para o jovem, o maior prejudicado é seu filho.

“Ficamos muito tristes com isso. Infelizmente, as redes sociais podem ajudar como também prejudicar muito as pessoas. Nós sabemos que existem muitas pessoas maldosas, com caráter discutível. Esse ataque midiático que estamos sofrendo está sendo muito difícil pra nós. A campanha tem que continuar. As pessoas falam, mas não pensam nas consequências. É muito simples ir atrás de um computador e falar qualquer besteira sem saber o que se passa”, afirma Renato, que destaca que seu filho nunca recebeu ajuda do governo.

Renato explica que não tem atendido a RICTV, pois acredita que a emissora tem divulgado mentiras e desrespeitado e atacado sua família. Medidas contra a emissora também devem ser tomadas, revela Renato. O apresentador Helber Sá, da RICTV, afirmou no dia 12 de janeiro, durante transmissão do programa Balanço Geral, que “não existe nenhuma perseguição” e que “todas as normas básicas de jornalismo foram respeitadas”.

Renato garante que tem todas as notas fiscais e comprovantes de compra para apresentar à Justiça. Ele discorda dos que o acusam de falta de transparência. “Nós somos a única campanha que divulgou extrato de conta bancária. O povo que pede transparência, na verdade, não doou. Quem doou mesmo e acompanha história desde o começo sabe que nós somos muito corretos nessa questão. Eu vi muitas pessoas falarem de estelionato. Estelionato seria se não houvesse uma doença ou se a criança não existisse. São pessoas que não ajudaram, que não colaboraram, que não doaram e ficam falando palavras vazias e sem fundamento algum. Temos que focar no maior objetivo que é o tratamento do Jonatas. Se Deus quiser vai dar tudo certo. O mais importante é isso, a evolução do Jon, a saúde dele”.

Foto: Página da campanha AME Jonatas

8 comentários em ““Vamos entrar com ação contra o Estado”, afirma pai de Jonatas após bloqueio de bens

  • 17 de Janeiro de 2018 at 17 de Janeiro de 2018
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    Eu doei sim! Fiz muita campanha e acho um absurdo oque vocês fizeram com o dinheiro da criança.

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  • 18 de Janeiro de 2018 at 18 de Janeiro de 2018
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    foi tao bonito o ATO,PENA QUE PESSOAS COMO OS PAIS FIZERAO ISSO FICOU FEIO PRA joinville vamos esclarecer transparencia

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  • 18 de Janeiro de 2018 at 18 de Janeiro de 2018
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    Doei o que pude para esse menino, e participei de diversas campanhas em prol dele,
    sempre ouvi rumores de que o dinheiro não estava sendo usado especificamente para o fim a que se destinavam, e nunca quis acreditar que aquilo era verdade, e comprei algumas brigas em defesa do casal, pois achava que seria impossível o que estavam falando.
    Mas as ultimas noticias que tem repercutido em torno do caso fizeram eu mudar minha opinião e colocar em jogo a honestidade do casal. Vou citar apenas duas delas:
    1) “Renato admite que fez a compra com o dinheiro da campanha. “O Jon precisa de um carro grande”.
    Fica a minha pergunta….. não existem carros grandes e espaçosos semi-novos?
    é necessário comprar um carro zero Km por R$140.000? Por exemplo, uma Eco Sport ou uma Renaut Duster 2016 custa em média R$50.000 um carro desses não serviria?
    Só aí da uma diferença de 90.000 Nem faço idéia mas acredito que devem demorar alguns dias de campanha e mobilização para se conseguir 90.000, dinheiro que poderia ter ficado na conta do menino para a compra das medicações.
    2) “O jovem Renato Openkoski, pai de Jonatas, diz que a viagem foi paga por um médico”
    Eu não sei quanto custa uma viagem para Fernando de Noronha mas se eu dependesse de doações para o tratamento de um filho falaria para o Médico que queria pagar as passagens: “agradeço seu convite, mas prefiro que você deposite o dinheiro que você gastaria conosco na conta dele para o tratamento” ou então melhor ainda: “Quando o menino ficar bom vamos nós todos inclusive ele para Fernando de Noronha para comemorarmos o sucesso do tratamento”

    Não acho correto que o Ministério publico atrapalhe o tratamento do menino, mas também não acho correto que os pais não utilize 100% das doações para fins destinados exclusivamente ao tratamento.

    Portanto o correto é que o Ministério público faça o repasse dos valores diretamente aos hospitais e compra dos medicamentos sem que os pais precisem ter acesso a movimentação da conta.

    Essa é a minha opinião.

    Uma pessoa que fez o que pode para ajudar esse menino e que torce muito por ele.

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    • 18 de Janeiro de 2018 at 18 de Janeiro de 2018
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      👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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  • 19 de Janeiro de 2018 at 19 de Janeiro de 2018
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    Subiu pra cabeça,
    Famoso complexo de vira-lata…
    Coisa de pobre que não consegue ver a conta bancária com um saldo de 7 dígitos.
    Só tenho pena do pobre anjo que fica no meio do fogo cruzado entre o casal milionário e o povo indignado que não vai mais ajudar na campanha.

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  • 19 de Janeiro de 2018 at 19 de Janeiro de 2018
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    É lamentável pelo menino…mas basta ter transparência. Muito fácil dar entrevista alegando estar sendo injustiçado. Pq não dá entrevista comprovando onde colocou TODO dinheiro conseguido na campanha? Não apenas depósitos, mas o valores adquiridos nos pedágios, com as vendas das rifas, bingos….e por aí vai. O mesmo tempo que perde pra dar entrevista e dizer que vai processar seja lá quem for, poderia ser usado pra mostrar que utilizou o dinheiro para o que realmente ele foi destinado. É triste, pois os próprios pais prejudicam o tratamento da criança, quando se negam a dar explicações. E, não venha dizer que não devem explicações..pq devem sim. A partir do momento que pedem dinheiro na mídia pra ajudar o filho, devem sim, prestar contas a quem ajudou, por uma questão de respeito, e até pra que continuem ajudando. Se não quer dar explicações, não peça ajuda. Vá trabalhar e conseguir sozinho, pois do seu dinheiro não precisará prestar contas, mas do dinheiro do povo, que doou para seu filho, deve explicar sim. Seja mais humilde, se diz pastor, mas a arrogância tomou conta. Muito mais digno admitir o erro.
    Como pretende convencer as pessoas a continuar doando se não é honesto em nada que diz e faz? Acordeeee!!! Seu filho depende de ajuda. Admita de uma vez que usou esse dinheiro de forma errada, e comece a agir do jeito certo, para que seu filho continue recebendo ajuda.

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  • 20 de Janeiro de 2018 at 20 de Janeiro de 2018
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    “O Jon precisa de um carro grande, um carro espaçoso. Precisamos transportar os aparelhos dele, não é qualquer carro que dá para levar o Jon” – o pai só esqueceu de mandar adaptar o carro pra poder colocar os aparelhos junto com a cadeira de rodas que o menino não tem. Ou será que tem e eles não mostram pq é mais dramático mostrar o menino sempre numa cama? Espero que o menino não sofra as consequências das irresponsabilidades desse casal que se dizem preocupados com a saúde do filho.

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  • 20 de Janeiro de 2018 at 20 de Janeiro de 2018
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    Ridículo mais ridículo jornalismo que aceita fazer materia com esse infeliz

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