Orelhada precisa de apoio para continuar a ser um porto seguro da cultura joinvilense

Se você tem o hábito de ler jornal em Joinville, deve ter notado que de uns tempos para cá tem coisa faltando. A prolongada crise mundial do jornalismo somada às escolhas comerciais de grupos de mídia tornaram os jornais locais cada vez mais finos (no sentido literal), com menos profissionais e menos informação para a sociedade.

Um caso muito claro disso é o fim da coluna cultural Orelhada, do jornal A Notícia, comprado pelo Grupo NSC em 2016. O encerramento do espaço tocado pelo jornalista Rubens Herbst (foto) há quase 10 anos foi anunciado e concretizado nos últimos meses de 2017, deixando os joinvilenses órfãos de uma das principais fontes de informação cultural da cidade e da região. E se o setor artístico da cidade sempre esteve em relativas dificuldades, ficou ainda mais perdido depois que lançaram uma pedra em sua principal vitrine.

Para reverter este quadro, Rubens, o trabalhador que era o coração e a alma daquela coluna, quer lançar o site Orelhada. O objetivo é fazer o que sempre fez: jornalismo. Desta vez, porém, expandindo os horizontes da maneira que a internet permite. Mais entrevista, mais informação, mais multimídia.

O jornalista lançou uma campanha no site de financiamento coletivo Catarse, com a qual espera arrecadar R$ 25 mil para “ressuscitar” o/a Orelhada (era A coluna e deve virar O site). Com início no dia 8 de dezembro, a campanha já arrecadou R$ 11.226 até hoje (15 de janeiro). Agora, restam 22 dias para bater a meta da campanha na modalidade em que é tudo ou nada.

Rubens se formou em 1996, pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), numa época em que o curso de jornalismo ainda não existia em Joinville. Ia e voltava todos os dias, sendo que nos últimos três anos do curso (foram cinco) já trabalhava em A Notícia, onde tentava se infiltrar na editoria de variedades e consequentemente na desejada área cultural.

Foi justamente a paixão pelas artes que levou Rubens ao jornalismo. Primeiro os quadrinhos, ainda na infância, depois o rock, na adolescência. Não largou delas quando começou a curtir cinema e literatura pra valer. Queria escrever sobre tudo isso e muito mais para a famosa e já falecida revista Bizz, mas o rumo que tomou o satisfez ainda mais. “Ter uma coluna assinada por mim suplantou todos os meus sonhos no jornalismo”, revelou o jornalista que ainda se aventurou pelo rádio, sendo um dos apresentadores do programa É Rock, na Rádio Udesc.

Aquele garoto que era fã da Marvel se tornou um jornalista e pai de família realizado. Hoje, porém, enfrenta um desafio de super-herói, que é devolver à cidade um importante espaço cultural, só que agora em formato digital. Rubens Herbst tem se desdobrado como o Homem-Aranha para chegar lá, mas precisa da ajuda da vizinhança para conseguir.

Para conhecer a campanha e colaborar, clique aqui.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Leo Waltrick/Divulgação

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