Caravana de Lula chega a Santa Catarina em fevereiro, diz Pedro Uczai em Joinville

Cumprindo seu segundo mandato como deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o catarinense Pedro Uczai palestrou na quarta-feira (10) em um evento que reuniu cerca de 40 pessoas em Joinville. Na sede do partido, o petista convocou a militância para participar dos atos em defesa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outubro, Uczai disputará a reeleição à Câmara dos Deputados do Brasil.

Em entrevista exclusiva ao O Mirante, Uczai informou que a caravana do ex-presidente passará por Santa Catarina no mês que vem. O roteiro ainda será definido, mas ele já adianta que o Oeste deve ser um dos destinos. Uczai foi prefeito de Chapecó entre 2002 e 2004, quando José Fritsch renunciou para concorrer ao governo do Estado de Santa Catarina. Confira abaixo os principais temas da entrevista.

Julgamento de Lula

Pedro Uczai participará dos atos promovidos em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nos dias 22, 23 e 24 de janeiro. No dia 24, Lula será julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no caso do triplex. O petista foi condenado a nove anos e seis meses por corrupção e lavagem de dinheiro pelo juiz federal Sérgio Moro, em primeira instância. De acordo com a direção do PT, dois ônibus sairão de Joinville rumo a Porto Alegre no dia 22.

“Já houve um golpe parlamentar contra uma presidenta eleita, agora não é possível que três juízes tirem o direito de alguém que lidera as pesquisas de ser candidato a presidente da República. Deixa o povo julgar. Se o Lula não foi um bom presidente, não tem problema, o povo não vota nele. Mas tirar o direito do povo julgar esta liderança e votar ou não aí é o segundo golpe que se daria na democracia brasileira”, defendeu Uczai.

Se Lula for condenado no dia 24, Uczai explica que haverá recursos no âmbito judicial e que o partido deve se mobilizar politicamente. No dia 25, a candidatura de Lula deve ser lançada em São Paulo. “Vamos nos mobilizar politicamente para denunciar não só a seletividade, mas também a perseguição como um ato político do Judiciário”, disse. A presença do ex-presidente ainda é uma dúvida em Porto Alegre. Líderes como Evo Morales e Pepe Mujica ainda não foram confirmados “por questões de segurança”, afirmou Uczai.

Eleições 2018

Para ele, temas sociais como saúde, educação e segurança devem pautar as eleições, em função da “política de desmonte dos direitos sociais” de Michel Temer. “O segundo tema é a questão de política econômica, que hoje é restritiva, sem produção de crédito e de desemprego. O contraponto é uma política econômica de inclusão social e produtiva, de incentivo à produção econômica e geração de emprego”.

Democracia, corrupção e soberania nacional também devem ser questões debatidas, afirmou. “A corrupção vai estar presente de novo. E aí vamos defender que quem deu o golpe não foi para combater a corrupção. Os R$ 51 milhões não estão na conta do Lula. Estão em Salvador, no apartamento do amigo e ministro do Temer”, disse o deputado sobre o dinheiro encontrado no apartamento de Geddel Vieira Lima (PMDB), ex-ministro de Lula, Dilma e Temer.

O deputado catarinense afirmou que são bem-vindas as demais candidaturas de esquerda como as de Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Sua dúvida é em relação à ex-colega de partido. “Marina vai fazer uma agenda pela esquerda ou pela direita? É uma dúvida. A Marina vai se apresentar numa perspectiva de alternativa? Acho que deve caminhar para isso, porque para direita não vai ter espaço”, argumentou.

Membro da comissão de educação da Câmara dos Deputados, Uczai acredita e defende que o projeto Escola Sem Partido não deve ser aprovado. “O debate do Escola Sem Partido esconde para si uma profunda ideologia partidária, política, ideológica, autoritária, fascista, repressiva, discriminatória e homofóbica”, acusou Uczai, que disse ainda que “a escola tem que ser um espaço democrático que permita que o professor tenha posição partidária”.

Pós-graduação de esquerda

Uczai é idealizador do curso de pós-graduação A Esquerda no Século 21, que repercutiu no País em 2017. A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), o economista e líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL) e o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos são alguns dos professores do curso.

“A esquerda no século 21 precisa fazer avaliação das coisas boas, mas também a autocrítica. A pós não é para puxar saco, é para refletir, teorizar, interpretar os processos históricos, a literatura produzida sobre a esquerda e ao mesmo tempo projetar um futuro. Não é possível, numa sociedade desigual e injusta, abdicar da esquerda. A esquerda é necessária, é fundamental, é estratégica para transformar a sociedade”, enfatizou.

Governo de Santa Catarina

Para o Governo do Estado de Santa Catarina, Uczai defende a candidatura de Décio Lima numa “aliança democrática e popular com partidos de centro-esquerda”. “Nesse momento não tem como fazer aliança com o PSDB. Com essa conjuntura nacional, não tem como fazer aliança com o PMDB. No primeiro turno, o PT tem que procurar o PDT, o PCdoB e o PSOL. O PSB aqui está sequestrado pelos Bornhausen, então não tem muito diálogo”, destacou.

“As eleições têm que ser uma grande oportunidade para a sociedade fazer uma avaliação crítica do momento histórico que vivemos. Esse momento aprofunda as desigualdades sociais e o abismo entre os que têm mais e os que têm menos, concentra a renda, o poder e a riqueza. A eleição tem que ser uma oportunidade de discutir um outro rumo para o País. E eu, como um cara mais otimista, acho que é possível. É necessário construir um novo Brasil para 150 milhões de brasileiros que têm perdido a esperança. Dá pra fazer da eleição um momento democrático, desde que Lula tenha direito a ser candidato”, finalizou.

Reportagem: Alex Sander Magdyel
Foto: Laura Dacoréggio

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