Arquiteta é premiada por projeto de moradia para desabrigados por desastres naturais

A arquiteta Luana Cristina Steffens, 23 anos, foi premiada no 5º Prêmio para estudantes de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina 2017, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU/SC) e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SC). O projeto “Abrigo emergencial temporário para vítimas de desastres em Santa Catarina” foi considerado um dos melhores do Estado.

O objetivo da proposta é garantir a oferta de moradias dignas para pessoas desabrigadas durante as enchentes e deslizamentos que atingem o Estado. As casas temporárias seriam montadas por meio de kits modulares, que seriam entregues pela Defesa Civil às pessoas que precisam. Cada kit seria acompanhado de um manual de instruções e seria montado pelas próprias famílias.

Luana comenta que a montagem seria feita por meio de um sistema de encaixe, tornando a construção da casa bastante fácil. A unidade seria oferecida com mais ou menos peças, dependendo do tamanho da família, tendo capacidade de abrigar de quatro a 12 pessoas. O material usado para a estrutura seria o compensado naval – bastante utilizado na construção de barcos.

O compensado naval se caracteriza pelo conforto térmico (o interior mantém a temperatura ambiente, mesmo com o calor e o frio externo), ser impermeável (evitando que a água penetre pelas paredes em caso de chuva) e também reciclável, ajudando a preservar o meio ambiente. Já a cobertura seria feita em lona de PVC e as janelas em material transparente, para possibilitar a entrada da luz natural.

Os kits modulares contemplariam os dormitórios para as pessoas desalojadas. Já a escolha dos terrenos em que as unidades seriam instaladas temporariamente e a instalação de banheiros, lavanderias e cozinhas coletivas em containers ficariam sob responsabilidade da Defesa Civil. A estrutura de atendimento seria mantida pelo tempo necessário ao restabelecimento das famílias.

“Muitas vezes, os desabrigados são levados para locais públicos, como ginásios, igrejas e escolas, que não oferecem nenhuma privacidade. O objetivo do abrigo temporário é garantir, na medida do possível, mais conforto enquanto essas pessoas não podem voltar para casa”, comenta a arquiteta.

O kit seria devolvido ao órgão assim que a família se mudasse para uma moradia permanente e poderia ser usado por outras vítimas de desastres – no caso de a unidade ainda estar em condições de uso, o que dependeria do tempo de utilização. Para garantir maior flexibilidade na montagem do dormitório, a família pode escolher onde deseja encaixar as janelas nas paredes. “As janelas podem ser colocadas de acordo com a corrente dos ventos e da localização do sol da manhã e da tarde. Essa opção faz com que o lar tenha uma identidade própria, já que uma moradia poderá ficar com a aparência diferente da outra”, pontua.

O concurso teve 34 trabalhos de todo o Estado inscritos, dos quais três foram premiados e cinco receberam menções honrosas. O resultado final, com a classificação de Luana e dos outros selecionados, será divulgado oficialmente no dia 8 de dezembro. A programação está disponível no site do CAU-SC.

Ideia nasceu da vontade de ajudar

O projeto do abrigo emergencial foi desenvolvido por Luana durante o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), entre o primeiro e o segundo semestre de 2016, quando ela cursava o 9º semestre de Arquitetura e Urbanismo na Católica SC em Joinville. O trabalho foi orientado pelo professor Cláudio Santos da Silva e nasceu da vontade de usar a arquitetura para ajudar outras pessoas.

Escotista há oito anos e frequentadora de uma igreja no bairro Iririú, a jovem acompanhou a vinda de muitas famílias de haitianos nos últimos três anos e a necessidade que passavam. “Elas precisavam de tudo, desde emprego à moradia. Foi quando pensei que, por meio do meu TCC, eu poderia ajudar a garantir abrigo, pelo menos, para quem fosse castigado pelas cheias”, relembra.

Luana explica que o projeto de abrigo emergencial foi desenvolvido considerando as condições climáticas do Estado e, por isso, é focado nos problemas causados pelas enchentes e deslizamentos. Porém, nada impede que ele seja adequado para outros tipos de desastres naturais, como terremotos – a exemplo do que que ocorreu no Haiti em 2010 e que motivou a vinda de haitianos para o Brasil.

Ela pretende dar continuidade ao projeto no mestrado, quando pretende transformá-lo em alternativa concreta para ajudar as vítimas das cheias. “Quando você faz algo bom para o próximo, a tendência é que você se dedique mais à causa. O que me ajudou a conquistar o prêmio foi o desejo de ajudar”, comenta.

A coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Katia Cristina Lopes de Paula, elogiou a iniciativa da aluna na escolha do tema e o empenho de Luana em criar o melhor projeto possível. “A nossa casa é local que nos traz conforto e onde nos sentimos seguros, e perder a moradia durante um desastre natural é extremamente devastador. O trabalho da Luana é importante para garantir a essas pessoas um pouco de dignidade em um momento tão difícil e mostra que o arquiteto não exerce somente uma tarefa construtiva, mas também social”.

Edição: Felipe Silveira
Foto e informações: Católica SC

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