Terceira edição do seminário Inventando Gêneros começa na terça-feira

Ocorre nesta semana o 3º Seminário Inventando Gêneros. O evento acadêmico é organizado pelo Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom), da Associação Bom Jesus/Ielusc, e tem o objetivo de colocar em debate temas relativos aos Direitos Humanos sob a perspectiva das identidades de gênero e aos direitos das mulheres e das pessoas LGBT. As atividades ocorrem na Unidade Centro do Bom Jesus/Ielusc.

Além de palestras, mesas-redondas, apresentação de artigos, oficinas e feirinha, o evento conta com várias atrações culturais. Entre os nomes que se apresentam estão a bailarina Cindy Farias (foto), que faz o espetáculo de abertura do evento, na terça-feira (19), e o cantor Jesus Luhcas, que faz o show de encerramento, na sexta-feira (22). O grupo de maracatu Baque Mulher e a o Grupo Abismo, de teatro, se apresentam na quinta e na sexta, respectivamente.

A conferência de abertura, com o tema “Feminismos nos movimentos sociais e na academia: diálogos e tensões”, será feita pela pesquisadora Miriam Pillar Grossi, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A mediação fica sob responsabilidade da professora Daniela Rosendo, da ACE-FGG.

Na quarta haverá a mesa redonda com o tema “Feminismos e interseccionalidades”. Participam Daniela Andrade, Lino dos Santos, Heliana Hemetério dos Santos e Mariana Rodrigues. A conversa terá a mediação da professora Mariana Dátria Schulz (Ielusc e Univille). Vanessa Pacheco Cardoso (Ielusc/Coletivo Ashanti) será a debatedora.

A conferência de encerramento, com o tema “Os direitos LGBT no cenário político atual”, será com Tatiana Lionço, da Universidade de Brasília (UnB). Maísa Regina Bilenki (Arco-Íris Joinville) media a atividade, que conta com a debatedora Pandora da Luz (presidenta da UNA LGBT/ES).

Nas tardes de quarta e de quinta-feira haverá apresentação de trabalhos acadêmicos sobre a temática do seminário. Acadêmicos se inscreveram previamente e tiveram seus trabalhos aprovados para participar do evento científico. Clique aqui e confira a programação completa.

São parceiros do Ielusc neste seminário o Grupo de Estudos Iolaos (Univille), o Curso de Direito da Associação Catarinense de Ensino (ACE) e a Associação Arco-Íris de Joinville.

Apoio e protesto

Esta é a terceira edição do evento e a primeira com apoio da Fundação da Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Para receber o apoio, a entidade organizadora participou do Edital Proeventos 02/201. Além do interesse acadêmico e social a respeito do tema, o seminário atende a um dos pontos das Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos,

A professora Maria Elisa Máximo, que participa da organização do Inventando Gêneros, explica que o debate acerca das identidades de gênero e da diversidade sexual compõe o conjunto de pautas relacionadas aos Direitos Humanos que, por sua vez, constituem-se como uma das diretrizes do MEC para a educação em todos os níveis. Esses temas devem obrigatoriamente estar presentes nos projetos pedagógicos e matrizes curriculares dos cursos de graduação, em instituições e universidades públicas e privadas, com lugar no ensino, na pesquisa e na extensão.

“Isso é muito importante, porque rebate as acusações cada vez mais constantes de que o debate dessas questões tem como base escolhas meramente ideológicas e políticas. Definitivamente, esta é uma distorção séria e desonesta”, afirma a professora.

A professora se refere a críticas feitas por uma página conservadora nas redes sociais. O tema do seminário causou uma reação de grupos políticos de direita que se aproximam de práticas fascistas, como a perseguição pública, a censura e a difamação da instituição de ensino que abriga e promove os Direitos Humanos e a diversidade de gênero.

No entanto, o cumprimento das diretrizes não é a única motivação para o evento. A professora Maria Elisa considera uma obrigação de toda instituição que objetiva uma educação inclusiva e cidadã o debate destes temas.

“Falar sobre gênero é falar sobre a condição da mulher na sociedade, é falar sobre violência em todas as suas expressões, é falar sobre mercado de trabalho, é falar sobre o direito que as pessoas LGBT têm de existirem e serem reconhecidas exatamente na forma como se apresentam, é falar sobre expressões da masculinidade, é falar sobre maternidade, paternidade, enfim, uma infinidade de questões que estão permanentemente em pauta no debate público independentemente de ideologias ou partidos políticos. Portanto, trata-se de um debate imprescindível, dentro e fora das instituições de ensino”, conclui.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Divulgação

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