Trabalhadores de Caps entram em greve nesta sexta, diz Sinsej

Os servidores do Centro de Atenção Psicossocial III Dê-Lírios (Caps) entram em greve a partir de sexta-feira (15), às 7 horas. A decisão, votada em assembleia na quarta-feira (13), foi tomada diante da decisão do governo municipal em manter a ampliação da jornada de trabalho sem reajuste de salário. Atualmente, a carga horária semanal no local varia entre 30 e 42 horas, de acordo com a função desempenhada. Para o Sinsej, o aumento de carga horária neste local é uma experiência para alterar a jornada de mais setores.

O Caps III atua com equipes multidisciplinares, 24 horas por dias. O atendimento humanizado procura evitar a internação na ala psiquiátrica do Hospital Regional. Os servidores são expostos a transtornos psicológicos severos.

“É um trabalho com alto grau de complexidade, responsabilidade e risco, em um ambiente de tensão psicológica elevada e perigo de agressão”, explica o presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter.

O governo, no entanto, quer fixar a jornada em 44 horas. De acordo com a secretária de Saúde, Francieli Schultz, em reunião com os servidores, quem não cumprir o horário determinado será punido com a perda de uma gratificação recebida pelos trabalhadores do local. A imposição vale até mesmo para assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, que por determinação de lei federal não podem atuar mais de 30 horas por semana.

Os servidores alertam que a alteração da jornada também vai prejudicar o atendimento. Atualmente, as escalas são organizadas de forma a permitir a troca de informação entre os turnos. Com a proposta do governo, não será mais possível fazer este acompanhamento do quadro.

Na manhã de quarta-feira (13), o Sinsej participou de reunião com as secretárias de Gestão de Pessoas, Rosane Bonessi, e de Saúde, Francieli Schultz. Além da reivindicação do Caps III, foi solicitado ao governo que forneça equipamentos de proteção individual e uniformes em setores como obras e cozinhas da Prefeitura. A falta de EPIs levou os servidores a paralisações recentes.

Também foi solicitada a reposição imediata dos profissionais faltantes nas unidades; suspensão e restituição dos descontos arbitrários e ilegais promovidos nas folhas de pagamento dos servidores, decorrentes da aplicação da normativa 001/2017; manutenção do pagamento integral do adicional de insalubridade dos coveiros; revogação da portaria que suspendeu os direitos estatutários de licença-prêmio, venda de um terço de férias e abono natalino; fim do assédio moral e da perseguição política em toda a rede, com a regulamentação da lotação e transferência dos servidores; garantia do recesso de fim de ano – inclusive no Ambulatório e CCA do Hospital São José, onde a Prefeitura anunciou o corte deste direito; pagamento do abono para quem trabalhar no recesso devido à natureza de sua função; pagamento imediato do rateio do Pmaq a todas as equipes contratualizadas, seguindo os critérios estabelecidos no exercício anterior; entre outras questões.

Todos os pedidos, segundo o sindicato, foram categoricamente negados pelas secretárias. Nesta sexta (15), ocorre mais uma reunião com o prefeito Udo Döhler. A categoria permanece em estado de greve e reúne-se em assembleia no dia 21 de setembro, às 19 horas, no Sinsej.

Edição: Felipe Silveira
Foto: Aline Seitenfus/Sinsej
Informações: Sinsej

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