“Eu vim para ficar muito tempo”, diz Rogério Zimmermann, novo técnico do Joinville

O novo treinador do Joinville Esporte Clube, Rogério Zimmermann, foi apresentado à imprensa na tarde desta quinta-feira (14), no Centro de Treinamento do Morro do Meio. Em 40 minutos de entrevista, Zimmermann falou sobre carreira, os desafios do clube, suas características de jogo e o desejo de permanecer no JEC por um longo período.

“Quando eu chego no clube e penso que vou ficar dez anos no clube e as decisões devem ser pensadas no time. Penso sempre que ficarei muito tempo nos clubes, é a minha característica e o tempo de contrato não interfere”, disse Rogério, que treinou, nos últimos cinco anos, o Brasil de Pelotas. Em julho deste ano, ele foi demitido do clube gaúcho durante a Série B.

A fraca campanha fora de casa na Série C foi assunto na coletiva. “A maneira que você joga depende do confronto, da relação com o outro time e nem tanto o local. Não devemos esperar uma receita de bolo, o futebol não é assim. A sua qualidade, análise do adversário, a estratégia, isso conta mais para a vitória”, afirmou.

Abaixo, os principais trechos da entrevista de Rogério Zimmermann.

Trabalho no Brasil de Pelotas

As duas coisas elas se confundem. Teve longo prazo pelos bons resultados, estávamos na segunda divisão do estadual e se eu não subisse o trabalho poderia ter acabado. Tivemos dois acessos nacionais seguidos e com esse trabalho a longo prazo você tem mais chances de sucesso. Nos cinco anos não teve só momento de alegrias, houve problemas também. Se o clube tem um momento bom ou ruim, ele precisa ter convicção. Se o treinador tiver o sucesso ele será procurado e ele também deve ter vontade de ficar no clube.

Copa Santa Catarina

Começa 2018 com antecedência, isso é fundamental e a Copa Santa Catarina será para isso. Precisamos antes olhar quem está aqui, qual suas posições e estilo de jogo. Procurar jogadores é muito mais que indicação. Indicar para a realidade do clube, tem que saber a ideia do clube, o que ele pensa, o perfil, o poder de investimento, para que você não tenha pressa. Começar o 2018 esse ano é bem importante, pois é preciso não ter pressa que ela pode atrapalhar.

Estilo de jogo

Não vou me rotular no que mais gosto, porque cada clube e cada trabalho faria. Característica do jogador, da competição e eu quero saber da minha equipe. Ela superior as outras? Trabalho de um jeito. Se for inferior, é outro. Eu procuro o equilíbrio, não quero ficar preso apenas em uma ideia. Busco passar para o meu atleta as duas coisas, o equilíbrio. Se o adversário joga fechado e eu preciso propor o jogo, eu tenho que fazer isso. Se ele der espaço para contra-ataque, preciso saber fazer isso.

Cobrança da torcida

Pressão é normal em qualquer lugar e essa é a pressão boa. Uma das razões de ter vindo para cá é a torcida, a cobrança. Se a expectativa de todos que no dia 08, terminado uma competição e a saída dos jogadores, se alguém pensar que o time vai estar melhor do que no outro trabalho, não irá acontecer. Um mês fazer isso, o Tite estaria em perigo. A obrigação temos em todas as competições de fazer o melhor e vencer. É um trabalho para iniciar o ano de 2018, eu tô vindo para o Joinville e não para uma competição especifica. Será um processo lento, não vou prometer uma evolução rápida porque isso estaria errado.

Time competitivo

Todo o clube precisa ter sua identidade. Quando se troca muito de treinador as filosofias mudam demais, isso atrapalha. A gente precisa ser competitiva, pode ter técnica, vontade, raça, é preciso ter um elenco competitivo. Quando um time está mal, dizem que falta de atitude, de vontade, de raça. Mas é o treino de bolas paradas, marcação e fazer o que eu gosto, ter um time competitivo.

Escutando e observando as pessoas que estão aqui. Eu preciso conhecer o clube, saber do dia a dia e o grupo de atletas. Um início de trabalho sempre é difícil e talvez daqui e a um tempo eu responda melhor.
Tenho que trabalhar dentro da cultura do clube, e em todo lugar quem é que não gosta de um jogador competitivo?

Particularmente eu gosto de um time competitivo, agressivo e que no fim da partida tem mais finalizações. A escola gaúcha existe, tem suas características, mas o Botafogo é carioca e tem uma marcação forte. Se tornou um time competitivo. Os grandes títulos do Rio grande do Sul sempre foram com times técnicos, mas competitivos. Um time não pode ser só uma coisa, ele não vai ganhar. Sem qualidade, não se avança.

Contrato somente até o Catarinense

Nunca fiz contratos longos, o importante para se treinar e trabalhar a longo prazo é ideia, planejamento, o que o clube quer e a data do contrato não será um empecilho. Antes, durante o estadual iremos pensar na Série C. Quando eu chego no clube e penso que vou ficar dez anos no clube e as decisões devem ser pensadas no time. Penso sempre que ficarei muito tempo nos clubes, é a minha característica e o tempo de contrato não interfere.

Texto: Yan Pedro Kuhnen
Foto: Beto Lima/JEC

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