Fluminense do Itaum recoloca Joinville no cenário do futebol feminino

Enquanto no futebol masculino Joinville orgulha-se de ter, regularmente, representantes na elite do Campeonato Catarinense, no futebol feminino a realidade é bem diferente. Em 2017, será apenas a terceira vez em dez anos que a cidade contará com uma equipe no Estadual. As atletas vestirão a camisa do Fluminense de Itaum e entram em campo pela primeira vez no próximo domingo (10), às 12h30, contra o Kindermann, na Arena Joinville. O confronto será a preliminar do jogo do time masculino, que enfrenta o Concórdia, às 15 horas.

O Campeonato Catarinense volta a ser disputado após uma parada no ano passado, quando foi cancelado por conta da tragédia da Chapecoense. Nesse retorno, quatro equipes entraram na competição. Além de Fluminense do Itaum e Kindermann, Pé na Bola e Napoli são as outras duas equipes. A novidade desta edição é a vaga para a série A2 do Campeonato Brasileiro, que será dada ao campeão. Como o Kindermann já tem presença garantida na elite do futebol feminino nacional, a disputa fica entre os outros três times.

A vaga na competição nacional é, portanto, junto com o título, o principal objetivo do Fluminense na competição. No comando desse desafio está Ivens Fernando, que tem 13 anos de experiência no futebol feminino, passou por alguns clubes e é treinador das equipes da Secretaria de Esportes de Joinville. “Nossa expectativa é conquistar a vaga, luto e tenho o sonho de ver Joinville no cenário nacional do futebol feminino”, diz o Fernando.

Formação da equipe

A equipe começou a ser formada ainda no ano passado. De uma peneira com 60 jogadores, 30 passaram, mas como o campeonato do ano passado foi cancelado, algumas delas acabaram saindo. Como não havia outra competição no calendário, as atletas foram chamadas novamente agora em julho para voltar aos treinamentos. O grupo passou por uma renovação e recebeu alguns reforços, incluindo três jogadoras do Vitória de Santo Antão, clube em que Fernando é diretor.

Do elenco, entre 70% e 80% das atletas são de Joinville e as outras são da região norte de Santa Catarina, de cidades como Corupá, Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul, além de Itajaí. Várias delas, inclusive, são conhecidas de Fernando, pois treinaram com ele nas categorias de base da cidade.

Na preparação, as atletas que fazem parte das categorias de base treinam dia de semana e outras que já são do adulto participam dos treinamentos no fim de semana, pois muitas trabalham e não conseguem se dedicar apenas ao futebol. Nenhuma delas recebe salário e, para treinar, precisam arcar com os custos de transporte e outros que surgirem. “Elas se doam, se dedicam”, enfatiza o treinador.

A lateral Emanoely Cristine Bello vem se destacando e foi convocada para a Seleção Brasileira sub-20, que se prepara para a disputa do Campeonato Sul-Americano 2018, competição classificatória para a Copa do Mundo das categorias Sub-20 e Sub-17.

Sobre a partida contra o Kindermann, que é o atual octacampeã estadual, Fernando considera um importante teste. “É até bom enfrentar a equipe mais forte, pois assim medimos como está nossa equipe. Sabemos da qualidade delas e da força da equipe”, diz o treinador.

Para a estreia, Fernando terá desfalques de atletas que estão machucadas e outras que ainda não foram liberadas pela CBF.

Futebol como hobby

A dificuldade de fazer futebol feminino vem da falta de visibilidade em Santa Catarina, já que a modalidade está mais difundida no restante do país. “Aqui nós temos dificuldade de oferecer uma estrutura porque os patrocinadores não conhecem o que o futebol feminino tem a oferecer. Os times relutam muito ainda em fazer futebol feminino, vão muito na obrigação”, lamenta Fernando.

A meia Tânia Regina Pereira, de 25 anos, sabe o que é essa dificuldade, pois esse é um dos fatores que impediu que ela se profissionalizasse. Ela também considera a falta de visibilidade como o principal problema. “Isso acontece pelo fato de não acreditarem no potencial das mulheres com a bola nos pés. Para muitos, lugar de mulher é lavando louça. Mas garanto que se o futebol feminino fosse bem visado, com toda certeza ganharíamos todo o suporte que um time masculino ganha”, afirma a atleta que tem o futebol como hobby.

Outro fator que fez com que ela não se tornasse profissional foi um rompimento nos ligamentos do joelho. Ela até chegou a voltar, mas a lenta recuperação a levou a abrir mão de jogar profissionalmente.

Sobre a expectativa para o campeonato, ela garante que, apesar de todas as dificuldades, não faltará empenho. “Posso dizer que somos uma equipe nova no Catarinense, mas brigaremos de igual pra igual com qualquer equipe”, afirma Tânia.

Texto: Alexandre Perger
Foto: Divulgação

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