Servidores de Joinville podem entrar em greve

Os servidores de Joinville estão em estado de greve. A decisão foi tomada em assembleia realizada na terça-feira (5), na sede do Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (Sinsej). O motivo é a falta de condições de trabalho na Prefeitura, como a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), que levou à paralisação de servidores das subprefeituras recentemente. Ainda não há previsão de data para o início da greve, caso o movimento seja levado adiante.

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A categoria também exige o fim dos descontos que considera ilegais e que vêm ocorrendo em folha de pagamento e o respeito a direitos estatutários que estão sendo descumpridos, como a licença-prêmio e a venda de um terço de férias. De acordo com o sindicato, todos estes assuntos já foram apresentados pelo sindicato ao governo em oportunidades anteriores, mas nenhuma solução foi apresentada.

“Quantos de nós já pagamos para trabalhar nesta Prefeitura?”, questionou o presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter, na assembleia.

Cozinheiras relatam que compraram individualmente aventais e sapatos, servidores do setor de obras afirmam não ter ferramentas, profissionais de Centros de Educação Infantil (CEIs) denunciam a falta grave de profissionais e a necessidade de comprar até mesmo papel higiênico para manter a unidade em funcionamento.

“Minha profissão é de alto risco, mas não tenho uma roupa específica para trabalhar, não temos balaclava e capacete, que somos obrigados a usar, não temos luva para proteção de média e alta [tensão]”, contou o eletricista Valdinei Salazar.

Na próxima terça-feira (12), o sindicato tem reunião com a secretária de Gestão de Pessoas, Rosane Bonessi, e irá apresentar a pauta elencada ontem pela categoria. O resultado da conversa com o governo será avaliado em nova assembleia, marcada para o dia 21 de setembro, às 19 horas, no Sinsej.

Na assembleia, os trabalhadores decidiram que não aguardarão a próxima campanha salarial para exigir do governo soluções. Nesta quarta (6), o Sinsej protocolou ofício na prefeitura salientando que as demandas elencadas revelam “uma situação desastrosa vivida hoje pelos servidores, com iniciativas sem precedentes da gestão sobre as condições de trabalho da categoria”.

Veja quais são as reivindicações apresentadas

1. Manutenção da jornada atual de trabalho, sem prejuízo da remuneração, para todos os servidores, em particular aos lotados no CAPS III (ameaçados de jornada de 44 horas semanais), com a supressão do § 2º do Art. 1º da Lei 435/2015.
2. Garantia de manutenção do recesso de final de ano em todas as unidades que tradicionalmente gozam deste período, inclusive no Ambulatório e CCA do HMSJ;
3. Pagamento de abono aos servidores que trabalharem durante o recesso.
4. Fornecimento imediato de uniformes, EPIs, materiais e equipamentos em quantidade e qualidade suficiente para todos os setores, iniciando pelas unidades operacionais das Subprefeituras, D.O., Horto Florestal, Cozinheiras e demais unidades da Seinfra.
5. Revisão da regulamentação da hora-termo, com garantia da remuneração dessa hora complementar pelo valor da hora-aula atual do professor.
6. Pagamento imediato do rateio do Pmaq a todas as equipes contratualizadas, seguindo os critérios estabelecidos no exercício anterior.
7. Suspensão imediata dos descontos arbitrários e ilegais promovidos nas folhas de pagamento dos servidores, decorrentes da aplicação da normativa 001/2017, com a devolução imediata dos valores descontados, anulação das faltas injustificadas e revogação da respectiva normativa.
8. Manutenção do pagamento integral do adicional de insalubridade dos coveiros;
9. Reposição imediata dos profissionais faltantes nas unidades.
10. Revogação da portaria que suspendeu a licença-prêmio, a transformação de 1/3 de férias em pecúnia e o abono natalino, com a apresentação de calendário de retomada desses benefícios.
11. Fim do assédio moral e perseguição política em toda a rede, com a regulamentação da lotação e transferência dos servidores.

Edição: Felipe Silveira
Foto: Francine Hellmann/Sinsej
Informações: Sinsej

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