Falta de medicamentos aumenta o volume de críticas a Colombo na Alesc

Os deputados estaduais criticaram o governo estadual com mais veemência na sessão ordinária de terça-feira (29) da Assembleia Legislativa. “É grande a dificuldade do setor de saúde, interrupção de cirurgias e de procedimentos no Hospital Infantil Joana de Gusmão, faltam bolsas para colostomizados, medicamentos, fechamento de emergências, atraso no pagamento de prestadores de serviços, filas enormes, quase um caos”, disse Fernando Coruja (PMDB).

O deputado lageano acusou o governo de não repassar à saúde o percentual previsto na Constituição. “A argumentação é que falta dinheiro por causa da crise (econômica), mas não é só a crise. O governo precisa passar um percentual da sua receita, era 12%, agora é 13%, então pode até diminuir o recurso, não o percentual, mas em Santa Catarina não se aplica o percentual. O recurso não está sendo repassado à saúde”, denunciou o parlamentar. Segundo Coruja, o Ministério Público instalou um inquérito civil para apurar o não repasse dos recursos.

O governista Gabriel Ribeiro (PSD) saiu em defesa do governo. “Santa Catarina é o estado mais bem administrado do Brasil. Estamos tomando empréstimo do BNDES para dar recursos aos municípios para obras importantes de infraestrutura. O governador fez a reformas, colocou as contas em dia, promoveu uma grande transformação. Jogar números é muito fácil, mas a responsabilidade do governador é traduzida na renovação do Fundam”, argumentou Gabriel.

Neodi Saretta (PT) concordou com Coruja. “Estamos vendo cancelamento de cirurgias e de consultas. Há uma preocupação muito grande, aliás, essa tem sido a tônica da Comissão de Saúde. Quero fazer um apelo para que se possa encontrar uma forma urgente para repor isso, quem sabe os R$ 300 milhões dos R$ 1,5 bilhão do Fundam não vão para a Saúde?”, sugeriu Saretta.

Para Luciane Carminatti (PT), a saúde está naufragando. “A gente não pode incluir a saúde na frente parlamentar do setor náutico?”, ironizou Carminatti, em referência à outra discussão da Alesc naquele dia. A deputada ainda questionou os incentivos fiscais que drenam recursos da saúde.

Doações de empresas

Na semana passada, o governo divulgou que empresas podem contribuir para “aliviar problemas emergenciais na saúde pública estadual”. A Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) anunciou a criação de um código de receita específico para compra de medicamentos e combustíveis para ambulâncias.

Até a semana passada, a Fazenda já contava com R$ 3 milhões em doações de empresas até dezembro. Segundo a nota do governo, as doações não têm nenhuma relação com abatimento de imposto ou benefício fiscal nem agora nem futuramente. As informações sobre as doações estarão disponíveis nos sistemas acessíveis pelos órgãos de controle do Estado.

“A princípio procurei três empresas do varejo, que prontamente se dispuseram a colaborar na resolução de problemas urgentes nesse momento de crise. A atitude ganhou visibilidade na imprensa e outras empresas começaram a fazer contato. Embora tenha gerado estranhamento por parte de alguns, é um alento verificar que ainda temos empreendedores conscientes de seu papel e preocupados com quem mais precisa”, disse o secretário da Fazenda, Almir Gorges.

Para doação espontânea ao Fundo Saúde basta acessar a página da Secretaria de Estado da Fazenda e procurar o link “DARE – Documento de Arrecadação” disponível na coluna “Mais Acessados” e no campo de receita escolher: 8753 – Aporte Fundo Saúde.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Karina Ferreira/Agência Alesc
Informações: Agência AL | Secom SC

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