Ciclista de São Francisco do Sul vai até Argentina e volta em dez dias

No dia em que chegou aos 51 anos, Gilberto da Luz Ferreira completou o seu maior desafio sob duas rodas: há pouco mais de duas semanas, no dia 8 de agosto, o ciclista voltava a São Francisco do Sul depois de dez dias pedalando. Foram cerca de 1.300 quilômetros, passando por dezenas de cidades de Santa Catarina e do Paraná, até Dionísio Cerqueira, município catarinense que faz divisa com a Argentina.

“Quanto mais pedalava, mais eu me motivava para seguir em frente”, conta o ciclista.

Gilberto é natural de Ponta Grossa, no Paraná, e trabalha há 31 anos como salva-vidas do Corpo de Bombeiros Militares. E foi com a ajuda da corporação, presente nas cidades onde pernoitava, que o ciclista teve hospedagem e refeições. Biofhitus, Centro Zinco e MasterFarma também foram apoiadores do desafio.

A paixão pelo pedal é recente. Há três anos, Gilberto iniciou com aventuras intermunicipais (Florianópolis, Joinville, Porto União, Jaraguá do Sul, subida da Serra Dona Francisca). Em 2016, ele participou de todas as etapas do Audax, que tem provas de 100, 200, 300, 400 e 1.000 quilômetros.

“Passei a gostar de fazer pedal de longa distância. É praticamente viajar, são desafios de bicicleta. Eu me motivei a fazer esse desafio de atravessar Santa Catarina, chegar à Argentina e voltar lá por cima, pelo Paraná”, disse o senhor, que também já foi paraquedista do exército e diz que são “novas aventuras” que o motivam.

Trajeto percorrido por Gilberto. Arte: Juvenal Junior

As dificuldades, claro, foram muitas durante o percurso. Das serras, as estradas sem acostamento, asfaltos em obra e a pouca visibilidade de se pedalar à noite, até a pouca umidade do ar que causou sangramento no nariz. “Eu estava focado e tranquilo. Em momento algum me senti cansado, desanimado ou achei que deveria voltar”, relatou.

A família, segundo Gilberto, gostou de sua aventura e o incentivou. “Eles já me conhecem e sabem que eu gosto de desafios”, conta o ciclista, que já planeja suas próximas grandes pedaladas. Em abril de 2018, ele pretende desbravar os países vizinhos.

“Estou fazendo um projeto internacional, saindo do Chuí, entrando no Uruguai e seguindo até Bueno Aires, na capital da Argentina, retornando para São Chico”, diz. E, ainda no próximo ano, ele deve pedalar até Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em um percurso de cerca de 1,5 mil quilômetros.

As distâncias e marcas não parecem tão grandes para este, que se mostra, além do preparo físico, preparado psicologicamente. “Quando tomo uma decisão, graças a Deus, eu vou até o fim. Deu a largada tem que chegar”, finalizou.

Esta matéria foi publicada originalmente no jornal Folha Babitonga, de São Francisco do Sul, e cedida gentilmente ao O Mirante.

Texto: Yan Pedro Kuhnen
Fotos: Gilberto da Luz Ferreira/Arquivo Pessoal

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