Comunidades protestam contra fechamento de escolas na Zona Oeste

Estudantes, pais e professores realizaram na segunda-feira (31) dois protestos contra o fechamento de escolas estaduais na Zona Oeste de Joinville. Depois de inaugurar (falta o evento oficial) a Escola de Ensino Médio Bailarina Liselott Trinks, no bairro Vila Nova, o governo estadual fechou, durante o recesso escolar, a escola Maestro Francisco Manoel da Silva, no Vila Nova, e encerrou o ensino médio da escola Ruben Roberto Schmidlin, no Morro do Meio, que funcionava em um prédio municipal. Os estudantes foram matriculados na nova unidade, mas isso gerou protestos das duas comunidades.

O primeiro ato ocorreu durante a manhã, às 7h30, na frente da escola Maestro. O segundo foi na frente da escola no Morro do Meio, às 19 horas, com forte participação da comunidade (foto). Neste último caso, os estudantes terão que percorrer mais de cinco quilômetros para estudar na nova unidade, no bairro vizinho. De acordo com a coordenadora regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC), Thais Tolentino, essa é uma das causas o alto índice de evasão escolar

O Sinte também denuncia o desligamento de professores ACTs (Admitidos em Caráter Temporário). Segundo a entidade, foram nove professores dispensados no Ruben. Este número, no entanto, pode aumentar. Como há professores efetivos que ainda não fecharam a carga horária mínima, eles terão que completá-las em outras unidades, o que pode gerar mais desligamentos, inclusive em cidades vizinhas.

O sindicato tem se posicionado contra a política de fechamento de escolas do governo estadual. A administração Raimundo Colombo fechou dez escolas (considerando extensões) estaduais na região da ADR Joinville, enquanto abriu apenas quatro, sendo que três delas tem o mesmo nome: Luiz Henrique da Silveira.

“Toda vez que se fecha uma escola, isso tem consequências para a sociedade. Isso vai resultar na abertura de presídios no futuro. Todo mundo sabe que uma coisa está ligada à outra”, afirma Thais.

Segundo a coordenadora regional, a luta dos trabalhadores é por uma educação pública, gratuita, para todos e contra qualquer ataque à educação. “Vamos lutar pelo não fechamento dessas escolas e também pela reabertura das que foram fechadas. Basta andar pela cidade que a gente vê a ociosidade desses prédios públicos depois do fechamento”.

As comunidades aprovaram a realização de mais uma manifestação, desta vez na frente Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Joinville, na rua Nove de Março. O ato está marcado para quarta-feira (2), às 18 horas.

Tentativas frustradas de diálogo

À espera da audiência na ADR

Os movimentos Fica Maestro e Ruben não pode fechar tentaram marcar uma audiência com a secretária executiva da ADR Joinville, Simone Schramm, mas não obtiveram sucesso. Na última quinta-feira (27), eles estiveram na agência regional e esperaram cinco horas para se reunir com a representante estadual. Segundo a coordenadora do Sinte, a assessoria disse, em um primeiro momento, que eles seriam recebidos após uma reunião, tanto que foram para uma sala esperar. Porém, depois foram informados que não haveria o encontro, pois a audiência teria que ser marcada com antecedência. Thais conta, no entanto, que as audiências marcadas anteriormente foram canceladas.

Antes disso, na terça-feira (25), o governo fechou as portas da escola Maestro, onde seria realizada uma audiência pública sobre o tema, aprovada pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A comunidade realizou a audiência na rua.

O que diz a ADR Joinville (adicionado às 17h35)

A ADR informou que os alunos do ensino médio noturno no prédio da Escola Municipal Ruben Roberto Schmidlin, no bairro Morro do Meio, terão transporte escolar para ir e vir para a nova escola. “Na unidade do município à noite os alunos estão restritos à sala de aula, sem acesso à biblioteca, refeições e área de esporte. Com a migração deles para uma unidade estadual a qualidade de ensino também irá melhorar. São alunos da rede estadual e, agora, em ambiente da rede estadual”, diz a nota.

Sobre os 37 professores ACTs desligados das escolas EEB Higino Aguiar (Araquari) e EEB Maestro Francisco Manoel da Silva e Ruben Roberto Schmidlin, a ADR informou que 34 foram recontratados para novas unidades. E os outros dois terão recolocação nos próximos dias. “A Gered faz chamadas semanais de ACTs para cobrir férias, aposentadorias, licenças de saúde. Essa redução de ACTs se deve ao fato das salas da Escola de Ensino Médio Bailarina Liselott Trinks e Escola de Ensino Médio Senador Luiz Henrique da Silveira terem salas maiores. Com relação aos professores efetivos, não teve redução de carga horário, inclusive houve ampliação para alguns”.

Texto: Felipe Silveira
Fotos: Sinte/Joinville

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