Na expectativa pelo NBB, George Salles fala sobre a temporada e o desenvolvimento do Basquete Joinville

Joinville é, há muito tempo, uma cidade tradicional no basquetebol brasileiro (e nesta sexta foi confirmada a volta à elite nacional do esporte). As diversas associações responsáveis por gerir a modalidade no município ao longo dos anos criaram uma respeitável reputação país afora. E foi exatamente essa boa imagem que chamou a atenção do santista George Rodrigues Salles, hoje técnico do Basquete Joinville.

Ainda no início de sua relação com o esporte, George já ouvia falar da força da cidade catarinense na modalidade e logo veio o desejo de trabalhar com o basquete em Joinville. Desejo esse que começou a ser realizado em 2014, quando foi convidado a trabalhar nas categorias de base da equipe e concretizado de vez em novembro de 2016, com a proposta para assumir o time adulto.

Após um bom trabalho em Brusque, o desafio era trazer a equipe joinvilense de volta ao cenário nacional. E foi com atletas formados na cidade que o Joinville se preparou para a temporada. “Nosso sonho era trazer todos os atletas que passaram pela base do Joinville. Conversamos com eles e todos aceitaram de prontidão”, explicou o treinador. O objetivo era fazer uma boa campanha na Liga Ouro e mostrar que a cidade tinha estrutura para disputar o NBB. Porém, o Joinville fez mais.

George Salles não esconde que o vice-campeonato foi surpresa. “Não esperávamos chegar tão longe logo no primeiro ano juntos. Com certeza fomos a equipe que mais evoluiu ao longo da Liga Ouro. Sabíamos que teríamos altos e baixos, pois temos atletas que nunca tinham sido protagonistas e aqui teriam que decidir jogos, mas conseguimos concluir nosso objetivo”, avaliou.

A entrevista foi realizada na terça-feira (18), quando a participação no NBB ainda não estava definida: “Agora o foco está voltado para a arrecadação do valor necessário para confirmarmos a participação na competição. Vou treinar a equipe no estadual e nos joguinhos, mas para o NBB ainda não discutimos nada. Alguns atletas como o Batata, o Moises e o Maxwell tinham contrato até o fim da Liga Ouro e já estão em suas cidades, outros tem contrato até o fim do ano. Temos que esperar que a situação com a Liga se resolva para depois conversarmos”.

Sobre propostas de outras equipes, George Salles disse não ter recebido nada e está focado no trabalho para as próximas competições. O Joinville tem até a próxima sexta-feira (21) para apresentar as garantias financeiras exigidas pela Liga Nacional de Basquete (LNB) para poder disputar o NBB.

 


O time e a cidade

Era tradição nos tempos de Joinville no NBB. Assim que acabava a partida, a torcida tinha acesso liberado a quadra e podia interagir com os jogadores. Atitudes que aproximavam os atletas dos torcedores e faziam com que a relação entre torcida e time se tornasse especial. No retorno da equipe às competições nacionais, a tradição foi se restabelecendo aos poucos. Se na partida de estreia em casa na Liga, a torcida ainda demonstrava certa timidez, nos jogos dos playoffs contra Contagem Towers e Botafogo, mal soava a sirene encerrando a partida e a quadra já era tomada pelos torcedores que bateram os recordes de público na competição.

“A cidade realmente abraçou o time. Já na estreia contra o Santos tivemos um público muito acima do que esperávamos e no jogo 4 da semifinal contra o Contagem, quando tiramos uma diferença de 20 pontos, a torcida realmente foi fundamental. Além disso nosso torcedor show e esteve presente em todos os jogos”, revelou o comandante da equipe de Joinville.

Salles também falou sobre o desenvolvimento da modalidade na cidade. Para ele, o Programa de Iniciação Desportiva (PID) é um excelente fomento do esporte na cidade. Ele acredita que se as empresas participarem desse desenvolvimento, o crescimento do esporte tende a ser grande:

“Eu vim de São Paulo e posso dizer, Joinville tá muito bem posicionada em relação ao esporte. Ano passado chegamos a 9 mil crianças participando escolinhas na cidade. Isso significa que elas têm espaço pra se desenvolver em qualquer modalidade. Acredito que se o empresariado abraçar uma praça esportiva, teremos um grande crescimento. Nos EUA o esporte olímpico é majoritariamente financiado pela iniciativa privada. O Brasil está começando a fazer isso e o empresário está vendo que tem retorno”.

Base

Algo que manteve a chama do basquete acesa na cidade foram a equipes de base. Sempre fortes no estado, Joinville é o atual detentor do título estadual sub-19. Apesar disso, Salles é cauteloso em relação a participação da equipe na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), principal campeonato de base do país.

“A LDB passou por uma mudança esse ano, deixou de ser sub-22 e passou a ser sub-20. Em 2017 acredito que nossa participação seja difícil, pois o custo é alto e o primeiro objetivo é custear a equipe adulta no NBB. Então nosso foco na base vão ser os estaduais e as competições da Fesporte”, explicou.

O treinador também opinou sobre a importância da Federação Catarinense de Basquete e participação da Liga Nacional de Basquete e sua relação com a Confederação Brasileira de Basquete.

 


Texto: Vitor Forcellini
Foto, vídeos e edição: Yan Pedro Kuhnen

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