Fotógrafa combate a xenofobia contra haitianos em mostra espalhada pelo centro

Fotografias espalhadas pela região central de Joinville mostram o rosto de imigrantes haitianos atrás de uma frase: “O Haiti não é aqui”. Elas compõem a mostra Haitianos – Cidadãos Joinvilenses, a primeira exposição de Amanda Araújo, que busca combater a xenofobia contra os imigrantes que vivem na cidade.

“Não é difícil perceber, em diferentes lugares da cidade, que existe um movimento silencioso separatista entre as duas nações. Seja em pichações preconceituosas, na rejeição de melhores oportunidades e até nos olhares de espanto e julgadores com os quais a sociedade nega ao haitiano sua inclusão”, explica a fotógrafa.

A própria frase sobre as fotos – O Haiti não é aqui – foi tirada de uma pichação com evidente conotação xenofóbica. A autora subverte a intenção original para destacar justamente o contrário. “São atitudes motivadas por pensamentos como esses que impedem que haitianos sejam vistos como cidadãos como qualquer outro”, comenta.

A mostra é o trabalho de conclusão do curso de Amanda, que estuda Fotografia da Univille. Como ela, outros 23 estudantes da turma também puderam escolher o tema de maneira livre e tem suas exposições espalhadas pela cidade.

A técnica utilizada é lambe-lambe, também identificada com a cultura das ruas. As fotografias foram impressas e coladas em muros da cidade, aos olhos da população que não está nas galerias, mas sim em seu caminho do dia a dia.

Amanda espera, com seu trabalho, oferecer um outro olhar aos joinvilenses, mostrando que os imigrantes são “pessoas com sonhos, expectativas e interesses como qualquer um”. Ela conta que não imaginava os absurdos pelos quais os haitianos passam em Joinville e já se indignava com o preconceito. Sua vontade, ela diz, é muito mais que a nota para passar no TCC. “Eu gostaria de verdade que o projeto sensibilizasse as pessoas”, revela.

“Conhecendo-os em suas individualidades e evidenciando os enfrentamentos dos quais passaram ou ainda estão passando na cidade que escolheram para chamarem de lar, se espera mostrar que, independente de etnia, raça ou credo, todos merecem ser reconhecidos e respeitados. Seja ele haitiano, alemão ou italiano, todos que um dia para cá migraram, contribuindo para a formação sociocultural da cidade, merecem estar representados neste lugar, afinal são todos cidadãos joinvilenses”, comenta a autora.

As fotos também podem ser vistas pelo instagram @haitianos_cidadaosjoi. Amanda vai postar fotos, e informações sobre o trabalho, inclusive indicando os pontos nos quais as fotos foram coladas.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Amanda Araújo/Divulgação

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