Cicloativista critica comentários sobre o sistema cicloviário na Comissão de Urbanismo

A Comissão de Urbanismo da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ) recebeu, na terça-feira (13), representantes do Movimento Pedala Joinville, do Departamento de Trânsito de Joinville (Detrans) e da Secretaria de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável (Sepud) para discutir o sistema cicloviário de Joinville.

O representante do movimento de ciclistas, Jony Roberto Kellner, destacou que o prefeito Udo Döhler assinou um documento em que se comprometendo a melhorar o sistema cicloviário. Uma das principais de quem pedala é a falta de integração entre as ciclovias e ciclofaixas.

Para o gerente de operações do Detrans, Samuel Luiz Bernardes Gomes, não há solução para o problema: “Em alguns casos, não tem como. Ciclista e pedestre têm que conviver”. Ele afirmou que em certos pontos não há espaço para a instalação de ciclovias ou ciclofaixas.

Já o representante do Sepud, Marcus Faust, disse que a maior parte dos deslocamentos de bicicleta ocorrem nos bairros. “A cidade é espalhada, então a maioria das pessoas não consegue por exemplo, ir até o seu trabalho de bicicleta”, explicou.

O jornal O Mirante procurou o cicloativista Fellipe Giesel para comentar o assunto. Para ele, o argumento da falta de espaço evidencia uma posição política em vez de técnica. “Centenas de cidades do mundo vêm reduzindo o espaço para automóveis para integrar a bicicleta na mobilidade urbana, às vezes até excluindo o espaço para automóveis. Mas a Prefeitura de Joinville insiste em andar na contramão do urbanismo sustentável dando prioridade ao automóvel em relação à bicicleta e ao transporte coletivo”, opinou.

Ele cita o exemplo da rua Orestes Guimarães, que recebeu nova pintura recentemente, com estacionamento dos dois lados da via. Segundo Giesel, um deles poderia ser uma ciclofaixa, transformando a via em uma alternativa paralela à rua João Colin.

Giesel produziu no ano passado o documentário As bicicletas e a Cidade, abordando de maneira crítica a construção da ideia de Cidade das Bicicletas. Segundo ele, é falsa a ideia de que os deslocamentos se limitam aos bairros.

“Entrevistei dezenas de ciclistas e muitos deles atravessam vários bairros da cidade em seus deslocamentos, inclusive idosos. Estes ciclistas representam um percentual pequeno da população, mas este percentual não aumenta justamente pela falta de ciclovias e ciclofaixas nas principais vias da cidade. Façam ciclovias e os ciclistas aparecerão”, afirmou.

O cicloativista também criticou a ideia de bicicletários nos terminais como forma de integração entre modais. “Só ocorrerá quando o ciclista puder embarcar no ônibus com sua bicicleta, em situações de emergência, como pneu furado ou tempestades. Mas isso esbarra em um sistema de transporte coletivo não-democrático e exploratório”, concluiu.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Sabrina Seibel/CVJ
Informações: CVJ

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