Antonio Prata conta suas experiências na Feira do Livro

Um dos principais autores da nova geração de escritores brasileiros, Antonio Prata foi recebido por um público pequeno nas duas apresentações que fez na Feira do Livro de Joinville, na terça-feira (13). Sua especialidade é a crônica, tipo de texto que publica semanalmente no jornal Folha de S.Paulo, mas também escreve roteiros para novelas, séries e filmes. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão as coletâneas Meio Intelectual, Meio de Esquerda e Nu, de Botas. Participou também da equipe de roteiro das novelas Avenida Brasil e A Regra do Jogo. Ele falou aos joinvilenses sobre a diferença nas duas formas de escrita, da admiração por grandes nomes, como Antonio Cândido e Rubem Braga, e sobre sua formação como escritor.

A primeira apresentação de Prata estava marcada para as 14 horas, no palco principal da feira. Duas professoras de literatura estavam convidadas para participar do bate-papo, mas elas não apareceram, o que exigiu algum improviso. Logo após uma breve introdução, a conversa foi aberta a perguntas da plateia. Uma fã dos tempos de Capricho logo se voluntariou para a tarefa. O autor escreveu para a revista voltada ao público adolescente e feminino por muitos anos. Quando recebeu o convite, disse que aquele era o público com o qual não tinha a menor identificação. Porém, aprendeu muito com ele (o público) ao longo dos anos.

Pergunta recorrente em qualquer conversa com escritores, Prata respondeu como se tornou um escritor, das influências em casa à primeira experiência. Ele contou que cresceu cercado de muitos livros e em um ambiente que estimulava a leitura. Seu pai é o escritor Mario Prata e sua mãe é a jornalista Marta Góes, casada com o colunista Nirlando Beirão. Brincavam com ele que não havia outra opção que não fosse a escrita.

Sua primeira crônica foi escrita aos 14 anos, sobre a casa em que morava e seria demolida para a construção de uma obra de Paulo Maluf. “Eu escrevi, dei para minha mãe e minha irmã ler e fui tomar banho. Quando saí, elas estavam chorando. Eu gostei daquilo, de escrever algo que fazia as mulheres chorar. Tá certo que era minha irmã e minha mãe, mas a gente precisa começar de algum lugar”, brincou. “Depois nunca mais consegui. Elas geralmente riem”.

O escritor também ressalta que a profissão não é um “desvio de conduta”: “Quando me perguntam como virei escritor, parece que a gente está um dia no escritório, levanta, rasga as roupas e sai correndo para virar escritor. Não é assim”.

Outra pergunta da plateia foi sobre o crítico literário Antonio Cândido. Prata cresceu na mesma rua em que o autor morava, mas que não tinha ideia de quem era, da importância de sua obra, coisa que foi descobrir na faculdade. Ele também falou de Machado de Assis e de Rubem Braga, “o maior cronista de todos”, ao explicar detalhes sobre o gênero literário.

Nas duas apresentações – a segunda foi à noite, às 19h30, também no palco principal, e desta vez com a presença das duas professoras –, ele respondeu perguntas sobre a diferença entre escrever crônicas e roteiros. A primeira, ele explicou, é um comentário sobre uma coisa banal, trivial, é sobre o detalhe: “A crônica dá importância ao que parece desimportante”.

Já o roteiro, ele diz, é algo completamente diferente. “O roteiro precisa de um conflito, um confronto, algo que mova a história”, disse. Ele já trabalhou na equipe de roteiristas das novelas Bang Bang, Avenida Brasil e A Regra do Jogo e conta que é como uma linha de produção, em que tudo tem que se encaixar.  Também escreveu o piloto da série Os Experientes. E usou o exemplo deste roteiro para explicar o processo de transformação, da ideia inicial ao resultado final.

Entre histórias da infância, da adolescência e de relatos das experiências profissionais, Antonio Prata, um dos principais herdeiros de uma gênero literário que o Brasil domina, contou o “segredo” para quem quiser ser escritor: “A primeira coisa é ler muito. A segunda, escrever. E, mais importante, viver.”

Texto: Felipe Silveira
Foto: Mauro Artur Schlieck/Assessoria Feira do Livro

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