Antonio Gavazzoni deixa o governo estadual

Acusado de participar de negociação de propina ao governo Raimundo Colombo, o secretário estadual da Fazenda pediu para deixar o cargo nesta segunda-feira (22). Homem forte do governo, Gavazzoni dirigia a secretária que mais recebia atenção na gestão de Raimundo Colombo.

Gavazzoni aparece na delação do executivo Ricardo Saud, da JBS. Segundo o delator, o político participou, junto ao governador Raimundo Colombo, do jantar no qual combinaram a doação de R$ 10 milhões à campanha à reeleição, em 2014. Em troca da colaboração financeira, a JBS receberia um favorecimento na possível, mas não concretizada, privatização da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).

Tanto o governador quanto o secretário negaram as acusações. Eles confirmam o encontro com os donos da JBS e as doações legais, mas negam qualquer oferta de favorecimento à empresa.

Veja a nota oficial de Gavazzoni

Nesse tempo em que fui secretário de Estado e presidente de estatal me concentrei sempre em enfrentar problemas e crises. Nunca fui seduzido por assuntos que gerassem publicidade positiva, como inaugurações ou festas políticas. Zelei cada dia pelo interesse público, trabalhei dando toda minha força, energia, conhecimento e capacidade para enfrentar grandes problemas públicos, desde a crise econômica e climática de 2008, depois à frente do grupo Celesc e, sobretudo, na Secretaria da Fazenda nestes últimos anos da pior crise econômica que o país e o Estado já viveram em toda sua história.

Vencemos por não aumentar impostos nem atrasar salários. Se isso tivesse ocorrido, a Segurança, a Saúde e a Educação teriam entrado em colapso, como aconteceu em vários estados. O progresso econômico e social estaria severamente comprometido. Porém, apesar de todo meu entusiasmo pelas missões públicas, neste momento não tenho forças para seguir comandando os homens e mulheres de grande capacidade técnica que pertencem aos quadros da Fazenda. Não vou descansar, mas me dedicar a mostrar a cada pessoa que confiou em mim ao longo desses 11 anos, que nada do que foi dito por criminosos confessos é verdadeiro.

Todos os encontros narrados foram presenciados por terceiros que testemunharão para esclarecer a verdade. Os heróis brasileiros em que se transformaram os Procuradores da República e os Magistrados sabem e saberão julgar aqueles com quem lidam. Esses criminosos confessos, que buscam a qualquer preço montar versões que justifiquem a troca de penas alongadas por liberdade e vida milionária no exterior, não podem vencer.

Na nossa vida tudo tem um limite. A minha enérgica disposição para enfrentar problemas no Estado encontrou o seu: os dois fatos envolvendo questões eleitorais, injustas e improcedentes quando citam meu nome e, por isso, doloridas. Abro mão do foro privilegiado porque nada temo. Agradeço ao governador Raimundo Colombo pela confiança e amizade recíprocas, bem assim a todos os colegas de Governo. Tenho Deus por testemunha de minhas palavras e, mesmo passando por tudo isso, só agradeço às amizades e simpatias que conquistei.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Carlos Kilian/Agência Alesc (arquivo)

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