Encontro de estudantes debate a relação entre educação e trabalho em Joinville

Ocorre nesta segunda-feira (22), no campus Joinville da Univerdade do Estado de Santa Catarina (Udesc), um encontro sobre a relação entre educação e trabalho em Joinville. A reunião é aberta, mas envolve principalmente estudantes, universitários e de ensino médio, da cidade. O evento tem início às 20 horas, no auditório do Bloco F.

A iniciativa é do movimento “Danma de Todos”, coletivo que perdeu a eleição ao diretório acadêmico local, mas que atua politicamente na universidade. A ideia é discutir a maneira como a empresariado local definiu, ao longo da história, os rumos da educação na cidade. Tanto a Udesc quanto a UFSC, as duas universidades públicas da região, tem cursos voltados à área industrial.

A atividade conta com a participação do historiador Izaías Freire, que pesquisou as relações políticas e empresariais em Joinville no período da ditadura civil-militar (1964-1985).

Outro objetivo do encontro é debater a importância do movimento estudantil na cidade. De acordo com um dos organizadores, o estudante Guilherme Luiz Weiler, é preciso debater e encontrar meios de aumentar esta importância.

Weiler também aponta a carência de outros cursos nas universidades públicas. Segundo ele, o perfil industrial da cidade é resultado de um ciclo vicioso. “O trabalhador de Joinville está no que eu chamo de beco sem saída. Ele tem a oportunidade de se formar gratuitamente, mas vai ter que trabalhar durante a vida inteira na iniciativa privada como engenheiro ou criar a sua empresa com esse perfil”, argumenta.

Segundo ele, os interessados em cursos como filosofia e sociologia são obrigados a se mudar para outras cidades. “Joinville não tem como mudar enquanto não houver a oferta de outros perfis de curso, pois o jovem que quer fazer, por exemplo, Administração Pública, tem que ir até Florianópolis para fazer a Udesc de lá, e provavelmente vai acabar fazendo carreira por lá mesmo, pois há ofertas de vaga na área.”

Para o organizador, não há intenção do poder público que o trabalhador joinvilense consiga fazer um curso de sociologia ou filosofia. “Porque aí o trabalhador vai começar a se ligar na lógica do sistema e começar a questioná-lo, e questionar o sistema hoje é quase um crime”, opina.

Texto: Felipe Silveira
Foto: Jonas Porto/Udesc Joinville

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