Conciliar maternidade e vida profissional: uma realidade difícil para as mulheres

Das inúmeras dificuldades que as mulheres enfrentam cotidianamente, conciliar vida profissional e maternidade é mais uma delas. E há números que comprovam essa realidade. Uma pesquisa da Catho, realizada com mais de 13 mil pessoas, aponta que 28% das mulheres já abriram mão do emprego depois de virarem mães. Enquanto isso, o percentual de homens que largaram a vida profissional é de 5%.

Os números mostram também que voltar ao mercado de trabalho é mais uma dificuldade para as mães. Os homens costumam trabalhar novamente em cerca de seis meses. Já o retorno profissional da mulher é distribuído ao longo dos anos.

Voltar ao mercado de trabalho após três anos é uma realidade para 21% das mulheres e 2% dos homens. Por outro lado, 49% dos trabalhadores levam seis meses e 13% das trabalhadoras conseguem retornar dentro de um semestre.

Uma imagem que vem circulando pela internet mostra o quanto é difícil para as mães conseguirem acessar novamente o mercado de trabalho. Ela consiste em uma montagem com vários anúncios de empregos em que as empresas colocam como condição que as mulheres não tenham filhos pequenos.

Empreendedorismo como alterntiva

Como solução para ter renda e conseguir horários mais flexíveis, muitas mãe estão seguindo o caminho do empreendedorismo. Uma pesquisa da Rede Mulher Empreendedora, que ouviu quase 1400 mulheres, mostra que 75% das empreendedoras abriram seus negócios depois que tiveram filhos.

Entre os motivos que levaram as mulheres a empreender, fazer o que gosta foi uma resposta citada por 66% das entrevistadas, seguida do horário flexível, mencionado por 52% das respondentes.

Gabriela queria participara do desenvolvimento do filho

Gabriela Ballock, 27 anos, sabia, já antes da gravidez, que queria ficar perto do filho Theo, de 2 anos, durante seu desenvolvimento. Mas ela também sabia que não conseguiria fazer isso trabalhando em horário integral em uma empresa. Por isso, já estava no planejamento que ela se desligaria do emprego.

Na busca por uma profissão com a qual ela pudesse conciliar a maternidade surgiu a Gabimypage, uma loja virtual que vende peças Infantis Importadas. “Para que melhor que estar perto do meu filho e trabalhar no meio infantil? Sou mãe e empreendedora do mundo infantil, duas paixões”, diz Gabriela.

A ideia do negócio surgiu quando Gabriela começou a montar o enxoval do filho e sentiu dificuldade em encontrar peças diferenciadas para meninos. Começou a procurar em sites de fora do Brasil e vendo o que tinha por lá decidiu trazer essas roupas para outras mães da cidade. “Então bastou fazer uma página mostrando meu trabalho e comecei a ganhar o carinho das minhas clientes e pessoas que me acompanham”, conta a empresária.

A empreendedora Michele Nunes Moreira, 33 anos, tem uma história parecida. Quando Yuri, seu primeiro filho, nasceu, ela quis preparar por conta própria a decoração e outros detalhes do aniversário e do quarto. “Com isso comecei a fazer cursos de pintura, decoração e fui pegando o gosto pelas artes manuais”, conta.

Quando engravidou de Heloísa, seu “mundo aflorou de vez”. Michele, portanto, abriu uma loja virtual, começou a participar de bazares e hoje atende o Brasil inteiro e o até mesmo outros países, incluindo clientes de Hong Kong, Holanda e Londres. Hoje, ela tem a Flor de cheiro atelier.

A empreendedora trabalhou por 13 anos e meio em uma empresa de comunicação. Não chegou a pedir a conta do trabalho por conta da gravidez, o filho já estava com 7 anos e a filha tinha 2 anos. “Na verdade, comecei a sentir necessidade estar mais envolvida no dia a dia deles. E com o passar dos anos, o meu atelier ganhou tal proporção que não consegui conciliar mais os dois trabalhos. E então optei por tocar minha empresa e passar mais tempo de qualidade com a minha família”, lembra Michele.

Texto: Alexandre Perger
Fotos: Divulgação

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