Fotos: Por dentro da Ocupação do MST em Garuva

Na última quinta-feira (4), uma comitiva do Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz (CDH) fez uma visita à ocupação do MST em Garuva. No grupo, além de advogados ligados ao CDH, havia uma equipe de jornalistas, com O Mirante incluso. Decidimos fazer uma galeria de fotos para mostrar aos nossos leitores e leitoras como está a ocupação.

O Acampamento Egídio Brunetto (entenda o nome aqui) teve início na madrugada de 10 de abril, quando militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e várias famílias de cidades da região (Joinville, Jaraguá do Sul, Araquari e Garuva) ocuparam um terreno às margens da SC-417, rodovia que liga Garuva à Itapoá.

Fomos recebidos para uma conversa por dois militantes do MST: o Gaúcho (de chapéu, no centro da imagem) e a dona Zenilda (de azul, de pé). Os dois são membros da Coordenação do movimento, assentados em outras cidades de Santa Catarina. Ele em Canoinhas, no Planalto Norte, e ela em Campos Novos, entre o Centro e o Oeste do estado.  Eles nos explicaram como funciona a ocupação, a questão da terra no Brasil, a situação atual do acampamento e quais os próximos passos do movimento, que aguarda a audiência com o juiz agrário no próximo dia 9.

Na entrada do acampamento, todos os carros são revistados. Álcool e drogas não passam, nos contam os anfitriões. Nem P2 (termo dado pelos movimentos sociais aos policiais disfarçados que tentam se infiltrar em atividades políticas). Recentemente, um deles tentou entrar na ocupação e foi descoberto logo na entrada. Por mais que tentem, dá pra identificar um P2 de longe nas manifestações políticas. “Dá pra ver no jeito de andar”, conta Gaúcho.

Ainda sobre a questão do álcool e das drogas, dona Zenilda destaca o papel de recuperação de pessoas que o MST faz. Ela diz que, de modo geral, uma boa parte das famílias que chega à ocupação está desestruturada, com muitos problemas. São pessoas desempregadas, com pouca escolaridade, problemas com moradia, entre muitos outros. O MST faz um trabalho de recuperação com essas pessoas. Com muito diálogo, oferecendo uma nova oportunidade de vida, mas também com regras a seguir. Essa é uma das razões para o cuidado na entrada do acampamento.

Desde o início, a ocupação recebe o apoio de movimentos, estudantis, sindicais, sociais e políticos da região. O presidente do PSOL Joinville, por exemplo, também integrava a comitiva. O partido tem reunido doações para levar à ocupação. Membros do PCB também estão presentes e colaboram nas atividades. O Movimento Permacultura de Joinville tem desenvolvido um trabalho na ocupação, trabalhando na construção de uma casa de barro, de um banheiro seco e de hortas.

O Acampamento Egídio Brunetto tem crescido. Uma repórter que esteve na primeira semana da ocupação, há quase um mês, ficou surpresa com o crescimento do número de barracos de lona, além da organização do espaço. Gaúcho nos conta que até o dia da audiência eles estão recebendo famílias no lugar. Depois disso, vai depender da decisão do juiz. Zenilda nos conta que a ocupação é boa para a cidade. “Se antes havia um dono, que não produzia nada, agora vai ter 600 famílias. Produzindo e comprando roupa, comida e outros itens”.

Texto e fotos: Felipe Silveira

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2 comentários em “Fotos: Por dentro da Ocupação do MST em Garuva

  • 9 de Maio de 2017 at 9 de Maio de 2017
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    Gostei muito de ler isso, de saber desse trabalho. Parab´nes.

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    • 9 de Maio de 2017 at 9 de Maio de 2017
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      Obrigado, Joel!

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