Joinvilenses se preparam para Greve Geral nesta sexta

Imagem da última manifestação contra a reforma da previdência em Joinville.

Michel Temer enfrenta, nesta sexta-feira (28), a maior manifestação popular desde que assumiu o governo. A chamada Greve Geral vai parar empresas, serviços públicos e escolas. Trabalhadores do transporte público vão parar em várias cidades e ruas serão fechadas em todo o país, promovendo uma verdadeira paralisação nas cidades. Pessoas que, por quaisquer motivos, não podem faltar ao trabalho estão convidadas a participar dos atos públicos e também a não comprar nada durante todo o dia.

A manifestação contra as reformas trabalhista e da previdência foi mobilizada por setores de esquerda, especialmente sindicatos, partidos e movimentos sociais, mas alcançou outros setores populares. Há algumas semanas, setores da Igreja Católica começaram a apoiar a greve e mobilizar fieis para a discussão. Tanto a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quanto a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) publicaram notas contra a aprovação das reformas sem a devida discussão com a sociedade.

Em Joinville, diversas entidades e movimentos estão chamando a população para a Greve Geral. O terminal central vai parar das 7 às 8 horas da manhã e um grande ato reúne movimentos sociais, sindicais e estudantis às 10 horas, na Praça da Bandeira. Antes disso, às 9 horas, o Sinsej faz uma assembleia dos servidores na frente da Prefeitura. Haverá passeata pelas ruas da cidade. A mobilização se soma às centenas, talvez milhares, de atos que vão ocorrer em todo o Brasil.

Pelo menos dois partidos na cidade mobilizam seus militantes para a greve. O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). O Movimento Passe Livre (MPL) de Joinville também vai estar presente.

Novo momento de lutas

Doutor em Sociologia e professor do IFSC, Dauto da Silveira acredita que a Greve Geral marca um novo momento das lutas sociais no Brasil.

“Neste primeiro momento, a greve geral será um sinal claro da insatisfação popular acerca das profundas contra-reformas que estão sendo implementadas por um ‘covil de ladrões’, que tomaram o ‘céu de assalto’. O que está colocado nas atuais lutas é o fim das ingenuidades. O povo está perdendo as suas ilusões. Não há mais como depositar esperança nas instituições sociais que comandam a riqueza no país. O cenário de denerescência institucional nos leva para uma outra forma de luta: mais radical, porque somos mais conscientes, e mais concreta, porque dependerá do envolvimento de todos”, opina o professor.

Para Dauto, a manifestação pode ganhar “proporções imprevisíveis” e dessa forma gerar um processo que dá inínio a profundas transformações do país. “O nosso grande desafio é termos forças políticas suficientes para propormos coletivamente outro rumo para o país. Por isso a greve não pode se encerrar amanhã. É preciso dizer que amanhã será um grande dia, mas temos que ter clareza que precisamos de organização e muita consciência política. A transformação de um país é um grande processo de luta, mas amanhã podemos avançar o que não avançamos em 13 anos”, comenta.

Texto e foto: Felipe Silveira

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