Colombo anuncia a contratação de 320 agentes de segurança

O Governo do Estado anunciou, na manhã de quinta-feira (20), a contratação de 234 agentes de Polícia Civil, 25 delegados e 61 auxiliares periciais do Instituto Geral de Perícias (IGP), totalizando 320 novos agentes de segurança para Santa Catarina. Além disso, o governador Raimundo Colombo afirmou que o estado vai abrir um novo concurso público na área de segurança no fim do ano. Os novos servidores públicos foram aprovados em concurso público e aguardavam a chamada.

O anúncio é uma resposta ao aumento da violência no estado, conforme declarações do governador e da cúpula de Segurança estadual.

“Todos nós estamos conscientes do aumento da violência, da apreensão de armas cada vez mais pesadas e da presença de grupos que estão tentando ocupar um espaço aqui e isso nós não vamos deixar”, disse Colombo.

O secretário de Segurança Pública, César Grubba, afirmou que os anúncios respondem ao anseio da sociedade catarinense, enquanto o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Nitz, explicou que os novos agentes serão deslocados para várias regiões do Estado, em especial àquelas em que a criminalidade está intensa.

Para o secretário de Estado da Fazenda, Antonio Gavazzoni, o impacto das contratações será absorvido nas finanças estaduais. “Assim como responsabilidade fiscal, temos que ter responsabilidade social. E este momento exige reforços na nossa Segurança”, disse.

O novo concurso prevê 695 novas vagas, sendo 250 bombeiros, 194 escrivães e 200 agentes para a Polícia Civil, e 49 peritos e dois técnicos periciais para o IGP.

Contraponto

O Mirante procurou o Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz (CDH) para comentar a ação do governo estadual. Para o psicólogo Nasser Haidar Barbosa, membro da entidade e ligado às questões do encarceramento e das drogas, a medida é populista e acontece de maneira cíclica, sempre há crises na área de segurança, como uma forma de “apagar o fogo”.

“Esse tipo de investimento é o que um Estado atrasado, retrógrado, com pouco planejamento e pouca visão de futuro costuma fazer. É uma forma de gerir a crise e não necessariamente promover a segurança das pessoas”, critica.

Para Nasser, segurança se promove com outras políticas, como educação, saúde, moradia, ocupação e uso inteligente da cidade, mas ele lamenta que isso não ocorre. “O que se faz é justamente o contrário. São criados bolsões de pobreza, bolsões de exclusão e bolsões de grupos vulneráveis. Do ponto de vista dos direitos humanos, o que a gente discute é justamente tirar o foco do policiamente extensivo e investir de forma inteligente nessas outras políticas.”

O psicólogo destaca ainda que é preciso rever imediatamente a política de combate às drogas: “É uma política que está totalmente na contramão e contribui muito para a insegurança pública”. Ele defende que sejam descriminalizadas todas as drogas, liberando o uso, e que se trabalhe com outras políticas a partir disso.

“As políticas de segurança vão servir para as questões de segurança, como criminalidade e violência, mas não para o uso, porte e consumo de drogas, pois hoje isso acaba jogando um monte de gente para um submundo de clandestinidade, empurrando essas pessoas para a criminalidade”, explica.

Texto: Felipe Silveira
Fotos: James Tavares/Secom
Informações: Secom/SC

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